BLOQUE ZONA LIVRE em Construção

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Passagens da Guerra Revolucionária; uma Reunião decisiva


, por Cmte. Ernesto CHE Guevara

Durante todo a dia 3 de maio de 1958, realizou-se na Serra Maestra, em Los altos de Mompié, uma reunião quase desconhecida até agora, mas que teve a importância extraordinária na condução da estratégia revolucionária. Desde as primeira horas do dia até as 2h. da manhã, estiveram-se nalisando as consequências do fracasso do "9 de Abril"e o porquê dessa derrota, e tomando as medidas necessárias à reorganização do Movimento e a superação das debilidades consequentes à vitória da ditadura.

Embora, eu não pertencia à Direção nacional, fui convidado a participar nela a instâncias dos companheiros Faustino Pérez e René Ramos Latour (Daniel) aos que tinha feito fortes críticas anteriormente. Estávamos presentes, além dos nomeados, Fidel, Vilma Espin (débora na clandestinidade), Nico Torres, Luis Busch, Celia Sánchez, Marcelo Fernández (Zoilo naquela época), Haydée Santamaria, David Salvador e ao meio-dia uniu-se a nos Enso Infante (Bruno).

A reunião foi tensa,... (continua)



sábado, 3 de outubro de 2009

O que significa hoje internacionalismo?


O que significa hoje internacionalismo?

por Domenico Losurdo

Como pode exprimir-se hoje o internacionalismo? A situação mudou radicalmente em relação ao passado. Sob o ímpeto da falência do projecto hitleriano de retomar e radicalizar a tradição colonial, identificando na Europa de Leste o Velho Oeste a colonizar e germanizar, sob o ímpeto de Estalinegrado e da derrota infligida ao nazi-fascismo logo após a II Guerra Mundial, desenvolveu-se uma revolução anti-colonialista à escala planetária. Não foram apenas as colónias propriamente ditas a ser atingidas. Em países como os EUA e a África do Sul os povos de origem colonial rebelavam-se contra o estado racista e o regime da White supremacy. Ainda antes de encontrar expressão consciente nos partidos e forças de esquerda, o internacionalismo estava nos factos: abraçava os povos coloniais e de origem colonial, os países socialistas que apoiavam a revolução anti-colonialista e anti-racista, as massas populares do Ocidente que tinham sacudido o jugo do fascismo e que por vezes, como aconteceu com a Itália, puderam consagrar na Constituição a rejeição da guerra e da política de guerra e de hegemonia.

A revolução anti-colonial ontem e hoje

Para responder à pergunta inicial (como se configura hoje o internacionalismo?) devemos colocar uma pergunta preliminar: o que significa hoje a gigantesca revolução anti-colonial estimulada pela Revolução de Outubro
e acelerada por Estalinegrado? Não, essa revolução não desapareceu. Numa realidade como a palestiniana o colonialismo continua a subsistir na sua forma clássica, como demonstram a ininterrupta expansão das colónias israelitas nos territórios ocupados, a consequente expropriação, deportação e marginalização do povo palestino e a difusão de um regime de Apartheid, de acordo com a definição do próprio Jimmy Carter, antigo presidente dos EUA. E, todavia, não obstante a superioridade e o uso bárbaro da máquina de guerra israelense, apoiada pelos EUA e pela própria União Europeia, não obstante tudo isso, o povo palestino resiste heroicamente. A solidariedade com aquele que é nos nossos dias o povo mártir por excelência é um elemento essencial do internacionalismo.

Noutras partes do mundo, a luta entre colonialismo e anti-colonialismo manifesta-se de formas diversas. No continente norte-america
no, o séc. XX abria com uma significativa declaração de Theodore Roosevelt: à “sociedade civilizada” no seu todo, afirmava, competia um “poder policial internacional”, e tal poder os EUA tê-lo-iam exercido na América Latina. A partir desta retoma e radicalização da Doutrina Monroe, não têm conto as intervenções militares efectuadas pelos EUA para prejuízo dos seus vizinhos, considerados estranhos ao mundo civilizado e equiparados a bárbaros que precisam da tutela imperial. Acontece que a Doutrina Monroe caiu radicalmente em crise a partir de uma revolução que celebra nestes dias o seu quinquagésimo aniversário. No curso do meio século entretanto transcorrido, cada metade foi usada para isolar, difamar, estrangular e liquidar a revolução cubana, mas hoje a sua força e o seu significado internacional são confirmados nas mudanças em curso em países como a Venezuela, a Bolívia, o Equador, o Brasil, a Nicarágua, o Paraguai. Sob formas assaz diversas consoante o caso, a revolução anti-colonialista e anti-imperialista está em marcha na América Latina e também a essa se dirige a nossa solidariedade internacionalista.

No curso do séc. XX a revolução anti-colonialista rebentou também na Ásia e em África. E hoje? Para fazer o ponto da situação, convém compreender o alcance duma observação de Frantz Fanon, o grande teórico da revolução argelina. Quando se sentem levadas a capitular (escreve Fanon em 1961) as potências coloniais parecem dizer aos revolucionários: “Já que pretendem a independência, tomem-na e desapareçam do mapa”; de tal modo que “a apoteose da independência transforma-se na maldição da independência”. É a este novo desafio, de carácter não militar, que é preciso saber responder: “é preciso capital, técnicos, engenheiros, mecânicos, etc”. Por outro lado, já em 1949, ainda antes da conquista do poder, Mao havia insistido na importância da construção económica: Washington deseja que a China se “reduza a viver da farinha dos EUA”, acabando assim por “se tornar uma colónia estado-unidense”. E então, sem a vitória na luta pela produção, agrícola e industrial, a vitória militar estava destinada a revelar-se frágil e inconclusiva. Por outras palavras, Mao e Fanon de alguma maneira previram por um lado o estado de tantos países africanos que não conseguiram passar da fase militar à fase económica da revolução e, por outro, a mudança que se operou em revoluções anti-coloniais como a chinesa e a vietnamita.

O nascimento do Terceiro Mundo

Eis um ponto fundamental que é importante precisar. Perguntamo-nos de que modo se formou o Terceiro Mundo, o espaço tradicionalmente oprimido e saqueado pelo Ocidente colonialista e imperialista. Com um longo passado, em que manteve durante séculos ou milénios posição eminente no desenvolvimento da civilização humana, já em 1820 a China tinha um PIB que constituía 32% do Produto Interno Bruto Mundial; em 1949, no momento da sua fundação, a República Popular da China tornava-se o país
mais pobre, entre os mais pobres, do globo. Não muito diferente é a história da Índia que, ainda em 1820, contribuía com 15,7% para o PIB mundial, antes de cair, também ela, numa miséria terrível. Ou seja, não podemos compreender o processo de formação do Terceiro Mundo abstraindo-nos da política de saque e de desindustrialização conduzida pelas potências colonialistas e imperialistas.

Toussaint Louverture. Mas outra circunstância contribui para o processo de formação do Terceiro Mundo. Para compreendê-la, devemos reportar-nos a uma revolução que ocorreu no final do séc. XVIII, num país que hoje se chama Haiti, mas que então se chamava Santo Domingo. É uma revolução de escravos negros, que rompia ao mesmo tempo as cadeias do regime colonial e da instituição esclavagista; assim nascia no continente americano o primeiro país livre do flagelo da escravatura. A dirigir este processo de emancipação estava um jacobino negro, Toussaint Louverture, um grande personagem histórico, ignorado nos nossos livros de história, mas que numa sociedade democrática deveria obrigatoriamente figurar mesmo nos livros de educação cívica. Ora, depois da vitória militar, Toussaint Louverture colocou o proble
ma da construção económica: para tal fim quis usar também os técnicos e peritos brancos provenientes das fileiras do inimigo derrotado; razão pela qual foi acusado ou suspeito de querer restaurar o domínio branco e assim trair a revolução. Daí resultou uma tragédia que ainda nos deve fazer reflectir. Santo Domingo foi uma ilha muito rica, graças ao açúcar produzido nas plantações de grandes dimensões e eficiência notável, e largamente exportado. É certo que a riqueza produzida pelos escravos era para proveito dos seus patrões. Seria possível a antigos escravos fazerem funcionar em seu próprio benefício a economia desenvolvida por eles, herdada graças à revolução? Infelizmente, após a derrota dos homens de Toussaint Louverture, Santo-Domingo/Haiti adoptou uma atrasada agricultura de subsistência. A ilha conhecia assim a miséria generalizada e é ainda um dos países mais pobres do globo. Em conclusão, a formar o Terceiro Mundo há também os países que não são capazes de passar da fase militar para a fase económica da revolução, os países onde, por um motivo ou outro, a revolução anti-colonial conhece a derrota ou o fracasso.

O Imperialismo e a condenação dos povos rebeldes à fome

Nada se compreenderá da luta entre o colonialismo e o anti-colonialismo, entre o imperialismo e anti-imperialismo, se não se tiver em conta que ela é conduzida inclusive no plano económico. Imediatamente após a revolução liderada por Toussaint Louverture, Thomas Jefferson declarou que queria reduzir à “inanição” o país que teve a audácia de abolir a escravatura. Esta mesma história repetiu-se no séc. XX. Imediatamente após Outubro de 1917, Herbert Hoover, na época um alto funcionário da administração Wilson e
mais tarde presidente dos Estados Unidos usou explicitamente a ameaça de "fome absoluta" e de "morte por inanição” não apenas contra a Rússia soviética, mas contra todos os povos propensos a deixar-se contagiar pela revolução bolchevique. É uma política que continua até hoje: é notório para todos que o Imperialismo procura estrangular economicamente Cuba e possivelmente reduzi-la à condição de Gaza, onde os opressores podem exercer o seu poder de vida e morte, mesmo antes dos bombardeamentos terroristas, com o controlo de recursos vitais. No que respeita à República Popular da China, no início dos anos 1960 um funcionário da administração Kennedy, Walt W. Rostow, vangloriou-se com o facto de os Estados Unidos terem conseguido atrasar por "dezenas de anos” o desenvolvimento económico do grande país asiático! E contra esse Washington ainda hoje conduz uma política de embargo tecnológico, a política que até ao fim foi levada a cabo contra a União Soviética.

Portanto, a solidariedade internacionalista deve ser aplicada também aos países que conseguem passar da fase militar à fase mais propriamente económica da revolução anti-colonialista e anti-imperialista. Os líderes da América Latina estão conscientes da importância desta fase de transição. Para dar apenas um exemplo, há algum tempo atrás o vice-presidente da Bolívia lançou uma palavra de ordem assaz significativa: "industrialização ou morte!" Aos olhos de Alvaro Garcia Linera trata-se de realizar “o desmantelamento progressivo da dependência económica colonial”. Nesta perspectiva torna-se importante o crescente intercâmbio comercial e tecnológico com um país como a China: torna menos grave a ameaça de estrangulamento económico agitada pelo Imperialismo e torna assim mais fácil a luta contra a doutrina Monroe também no plano económico.

Já se delineia uma convergência entre os países e povos protagonistas da revolução anti-colonialista e anti-imperialista. É uma frente internacionalista que tende a alargar-se. Depois da vitória conseguida na Guerra Fria, valendo-se também da cumplicidade da União Europeia, os EUA transformaram em semi-colónias países como a Albânia e territórios como o Kosovo. Confirma-se a tese que enunciei segundo a qual para formar o Terceiro Mundo e o espaço colonial e semi-colonial de que precisa o capitalismo, surgem por um lado a iniciativa directa do Imperialismo e do outro a falência ou derrota de determinadas revoluções, seja por causas internas seja pela intervenção repetida do Imperialismo. Não se deve esquecer que a própria Rússia, depois da restauração do capitalismo, se estava a tornar ou arriscava tornar-se uma semi-colónia. E até mesmo este país mostra uma resistência ao louco projecto de Washington de impor o seu domínio a nível mundial.

Infelizmente, a esta frente anti-colonialista e anti-imperialista que poderia constituir-se falta ainda uma componente essencial: ela não desfruta ainda da plena solidariedade dos movimentos de oposição que efectivamente se manifestam nos países capitalistas avançados. Como explicá-lo? Não se trata de um problema novo. Na Segunda Internacional não faltavam por certo na Europa as vozes que justificavam o expansionismo colonial em nome da exportação da civilização. As vozes duramente contrastantes foram, entre outras, de Rosa Luxemburgo. Hoje, a ideologia dominante prefere falar de direitos humanos e de luta contra o autoritarismo, o totalitarismo, o fundamentalismo, mas a substância colonialista ou neocolonialista de tal conduta não muda.

O Imperialismo como inimigo principal dos direitos do homem

Para perceber isto, não é preciso voltar a Marx ou a Lenine. Quero aqui retomar o sentido do discurso pronunciado a 6 de Janeiro de 1941 por Franklin Delano Roosevelt. Na proposta para que não mais se perca de vista “a supremacia dos direitos humanos", para além da tradicional liberdade da tradição liberal (liberdade de expressão e religião), o presidente estado-unidense teoriza também o "libertar-se da necessidade" ( freedom from want ) e o "libertar-se do medo" ( freedom from fear ). Concentremo-nos inicialmente nestes dois últimos. Bem, não só uma parte substancial da população dos EUA carece ainda de cuidados de saúde, mas as sucessivas administrações nos últimos tempos em Washington empenharam-se numa espécie de cruzada planetária para acabar com o estado social mesmo nos países em que ele existe em maior ou menor medida. Teorizando em vez disso sobre o “libertar-se do medo”, F. D. Roosevelt tem em vista a Alemanha Nazi, que ameaçava invadir os países vizinhos e próximos. Hoje são em primeiro lugar os EUA a fazer pesar sobre cada parte do mundo o medo e a angústia dos bombardeamentos, das destruições em larga escala e até mesmo da aniquilação nuclear. Com o objectivo de encetar a política do “libertar-se do medo”, em polémica indirecta contra o Terceiro Reich, F. D. Roosevelt invocava a “redução” dos armamentos. Hoje os EUA sozinhos gastam em armamento o mesmo que o resto do mundo em conjunto. Isto é, pelo menos no que respeita a estes "direitos humanos" fundamentais que são o "libertar-se do querer" e "libertar-se do medo", o principal inimigo é o próprio país que aspira a ser o juiz inapelável da causa dos direitos humanos.

Do mesmo modo, se nos concentrarmos nos direitos clássicos da tradição liberal, o resultado não é muito diferente. Quem foi que, na Primavera de 1999, assassinou com bombardeamentos os jornalistas de televisão jugoslavos culpados de não partilhar a opinião dos líderes e ideólogos da NATO e de serem obstinados em condenar a agressão sofrida pelos seus países? E quantos são os jornalistas “acidentalmente” assassinados pelo fogo das forças de ocupação no Iraque ou na Palestina? Gozam de “direitos universais de expressão e de associação” os habitantes de Gaza que, depois de terem votado pelo Hamas em eleições livres, se viram condenados ao estrangulamento económico, ao bloqueio e sucessivos bombardeamentos selvagens e invasões? Gozam destes direitos os reclusos de Abu Ghraib e de Guantánamo? Têm-nos, enfim, os árabes e os islamitas que nos EUA ousam subscrever um abaixo-assinado a favor da população de Gaza e do Hamas arriscando ser perseguidos e condenados como “terroristas”? Para citar Marx, “a profunda hipocrisia, a barbárie inerente à civilização burguesa, abertamente e sem véus, não apenas nas grandes metrópoles assume formas consideráveis, voltemos os olhos para as colónias", ou para os povos de origem colonial colocados na mesma metrópole. Neste caso, a “hipocrisia e a barbárie burguesas ficam a nu". Como confirmou a sorte reservada para Gaza.

Isto não significa negar que se colocam problemas consideráveis de direitos humanos aos países e povos empenhados na revolução anti-colonialista e anti-imperialista e nos próprios países que reclamam o socialismo. E todavia basta ler autores como Madison ou Hamilton para saber que a regra da lei, a rule of law, não pode desenvolver-se onde existe uma ameaça à segurança nacional. Gritar pela assistência da democracia em países submetidos a um assédio com maior ou menor pressão no plano diplomático, económico e militar é expressão de loucura ou de verdadeiro cinismo político. Por outras palavras, não há verdadeira democracia sem democracia nas relações internacionais, e o principal inimigo da democracia nas relações internacionais é um país que, pela boca de Clinton, como de Bush Sénior e Júnior e de tantos outros presidentes pretende ser o país eleito por Deus com a missão de conduzir e dominar o mundo até à eternidade.

Também o hodierno “imperialismo dos direitos humanos” como foi justamente definido, não é nada de inteiramente novo. Se depois de uma heróica revolução nos começos do séc. XX, Cuba conquistou a independência de Espanha, Washington força este país formalmente independente a introduzir na sua constituição a Emenda Platt, com base na qual se reconhece aos EUA o direito a intervir militarmente na ilha cada vez que estes ali vêem ameaçados o tranquilo usufruto da propriedade e da liberdade. É como se hoje os aspirantes a patrões do mundo pretendessem fazer valer a Emenda Platt a nível planetário!

É o “Imperialismo dos direitos humanos” a enfraquecer a esquerda nos países capitalistas avançados.

Um novo bloco histórico a nível internacional

Acrescem outros factores. Na Europa e nos EUA vivem núcleos importantes de imigrantes provenientes do Médio Oriente e do mundo árabe e islâmico. Estes, que muitas vezes deixaram suas famílias para trás, sofrem com particular intensidade a tragédia que pesa mais do que nunca sobre o povo palestino. Estão na primeira fila a manifestar-se contra o colonialismo e o Imperialismo, contra Israel e os EUA, e é também por isto, para além da lógica interna do capitalismo, que estes imigrantes são particularmente explorados, marginalizados e muitas vezes (em qualquer caso nos anos da administração Bush) arbitrariamente detidos para serem torturados nas prisões secretas da CIA. Empenha-se a esquerda ocidental o suficiente para procurar estabelecer uma ligação estreita e permanente com esta comunidade? Persistir em ignorá-la seria como se nos EUA da supremacia branca o Partido Comunista Americano conduzisse a sua propaganda esquecendo os negros. Mas não. Mesmo tendo ficado gravemente enfraquecidos primeiro pelo terror maccartista e depois pela crise do campo socialista, ao longo do tempo os comunistas americanos souberam lutar, arriscando a liberdade e até a vida, contra as discriminações, as humilhações, a opressão e os linchamentos organizados pelo regime da White supremacy.

Os niggers, de quem falavam com desprezo os racistas estado-unidenses, são hoje representados no Ocidente pelos imigrantes árabes e islâmicos; e esses não se limitam a reivindicar o “libertar-se do querer”; não têm intenção de, enquanto pobres, apelar a uma compaixão paternalista. Em primeiro lugar reivindicam (para usar uma linguagem filosófica) o reconhecimento; exigem ser reconhecidos na sua dignidade humana, na sua cultura, na sua reivindicação nacional, a começar pela reivindicação nacional do povo palestino, o povo-mártir por excelência dos nossos dias!

Apenas liquidando por completo a influência do “Imperialismo dos direitos humanos” e da islamofobia (que tomou nos nossos dias o lugar do tradicional flagelo racista) o movimento de oposição presente nos países capitalistas avançados poderá dar um real contributo para a luta contra a reacção.

Encontramo-nos hoje numa situação que tem perspectivas positivas e encorajadoras: 1. sob o ímpeto da luta anti-imperialista ressurgem povos e civilizações que estavam a ser destruídas pelo colonialismo: pense-se no papel crescente dos índios na América Latina; 2. o prodigioso desenvolvimento de um país como a China quebra o monopólio tecnológico detido pelo Imperialismo. A “grande divergência”, como lhe chamam os historiadores, para quem a dada altura se abriu um abismo entre os países capitalistas avançados e o Terceiro Mundo, esta “great divergence” tende a reduzir-se; 3. A tomada de consciência da crise do capitalismo dá um novo impulso à perspectiva do socialismo para além do Terceiro Mundo, também nos países capitalistas avançados. Por outro lado vemos os países-guia do capitalismo imersos numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditados a nível internacional; ao mesmo tempo continuam a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito de Deus e a aumentar febrilmente a sua já monstruosa máquina de guerra e a estender a sua rede de bases militares a todas as partes do mundo. Tudo isto não promete nada de bom. É a presença conjunta de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis a tornar urgente a construção, a nível internacional, de um novo bloco histórico, para usar a linguagem de Gramsci. Não é uma empresa fácil, porque se trata de juntar forças em contextos histórico-culturais e situações políticas e geopolíticas assaz diversas. E este novo bloco histórico, que pode dar um novo impulso ao internacionalismo, apenas poderá ser construído se os partidos comunistas, inclusive aqueles dos países capitalistas avançados, por um lado recuperarem o orgulho na sua própria história e, por outro, reforçarem a sua capacidade de análise concreta da situação concreta.

Referências bibliográficas:
Frantz Fanon, Les damnés de la terre (1961), trad. it., de Carlo Cignetti, I dannati della terra, pref. de Jean-Paul Sartre, Einaudi, Torino, II ed., 1967, pp. 55-58.
Alvaro Garcia Linera em entrevista a Pablo Stefanoni, in «il manifesto» de 22 Julho de 2006, p. 3.
Mao Tsetung, Il fallimento della concezione idealistica della storia (16 Setembro de 1949), in Opere scelte, Edizioni in lingue estere, Pechino, 1969-75, vol. 4, p. 467.
Karl Marx-Friedrich Engels, Werke, Dietz, Berlin 1955-89, vol. 9, p. 225 (Die künftigen Ergebnisse der britischen Herrschaft in Indien).
Per Jefferson, Hoover e Rostow cfr. Domenico Losurdo. Stalin. Storia e critica di una leggenda nera, Carocci, Roma, 2008, pp. 196 e 288.
Franklin Delano Roosevelt, “Four Freedoms Speech” (6 Janeiro de 1941), in Richard Hofstadter-Beatrice Hofstadter, Great Issues in American History, Vintage Books, New York, 1982, pp. 386-91. (publicado com o título “Imperialismus der Menschenrechte”, in XIV. Internationale Rosa-Luxemburg-Konferenz 2009, Junge Welt, Berlin, 2009; pp. 11-13)
Fonte: Marxismo Oggi, 2009/1


Textos de Domenico Losurdo em resistir.info:
  • As raízes norte-americanas do nazismo
  • Negacionismo e liberdade de investigação
  • A suposta "não violência" do Dalai Lama é desmentida pela CIA
  • Acerca do liberalismo
  • Boicotar os Jogos Olímpicos de Pequim?
  • Quem recorre a escudos humanos: o Hamas ou Israel?
  • Os "Protocolos dos Sábios do Islão

    O original encontra-se em http://www.lernesto.it/index.aspx?m=77&f=get_filearticolo&IDArticolo=18394
    Tradução de André Rodrigues P. Silva.


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • domingo, 20 de setembro de 2009

    Richard Gott

    Publicado primeiro: http://www.brasildefato.com.br/

    Correspondente do diário inglês The Guardian, presente na Bolívia em 1967, Richard Gott testemunhou a campanha guerrilheira de Che e denunciou a participação da CIA no assassinato do revolucionário


    Claudia Jardim
    de Caracas (Venezuela)

    EM 8 DE outubro de 1967, quando o Exército boliviano capturou Che Guevara, para executá-lo um dia depois, Richard Gott, à época correspondente do diário inglês The Guardian, foi um dos poucos jornalistas a presenciar os fatos relacionados com a morte do guerrilheiro.
    Gott, que havia viajado à Bolívia para reportar a campanha guerrilheira de Guevara, também foi testemunha da participação da CIA (agência estadunidense de inteligência) no operativo de captura e assassinato de Che.
    Sobre Félix Rodríguez, um dos principais agentes da CIA nessa operação, Richard Gott escreveu dia 10 de outubro de 1967: “Era um homem muito nervoso e olhava furioso cada vez que uma câmera se dirigia a ele. Ele sabia que eu sabia quem ele era, e sabia também que ele não deveria estar ali”.
    Gott viveu na América Latina durante décadas e conta quem era o Che que hoje se converteu em um símbolo pop. “Ele levou os poemas de Pablo Neruda na mochila, mas sua música favorita era o som das metralhadoras.” Nos 40 anos da morte do guerrilheiro, Gott concedeu essa entrevista exclusiva ao Brasil de Fato.

    Brasil de Fato – Como o senhor se aproximou da história que culminou no fim da guerrilha e na execução de Che Guevara?
    Richard Gott – Guevara, em seu último artigo, publicado em 1967, pediu aos revolucionários para que criassem “dois, três, vários Vietnãs”. Decidi sair da minha base em Santiago do Chile e passei o mês de agosto viajando pela Bolívia, tratando de descobrir se este país estava pronto para ser “o próximo Vietnã”. Regressei à Bolívia no final de setembro. Me reuni brevemente com alguns oficiais bolivianos em Vallegrande, quando me informaram sobre uma iminente captura de Guevara. Também visitei um acampamento que os EUA mantinham fora de Santa Cruz para treinar os soldados bolivianos com técnicas antiguerrilheiras.

    Quando soube da captura de Che?
    Foi na tarde do domingo, 8 de outubro, que um oficial estadunidense me informou que Guevara havia sido capturado em La Higuera. Dirigi durante toda a noite até Vallegrande e cheguei na manhã de segunda-feira bem cedo no local para onde seria levado Guevara. Enquanto esperava, me chamou a atenção a presença de um homem vestido com roupa militar. Evidentemente não era um boliviano. Mais tarde, os oficiais bolivianos me explicaram que se tratava de um assessor da CIA. Finalmente, às cinco da tarde, chegou o helicóptero que trazia Guevara. Seu corpo estava em uma maca que tinha sido amarrada junto à base de aterrissagem da aeronave. Era evidente que o agente da CIA (Félix Rodríguez) se encarregava de todos os procedimentos. Falava inglês e espanhol fluentes, e estava visivelmente incomodado porque ele sabia que eu o havia identificado.

    Como foi o momento em que os militares bolivianos apresentaram o corpo de Che Guevara?
    Pouco tempo depois foi possível ver o corpo de Guevara em uma das lavanderias do hospital local. Neste momento eu estava bastante apreensivo. O fato de haver identificado o agente da CIA me fez temer que ele pudesse me prender. Permaneci perto do corpo de Guevara observando aquela pequena multidão de soldados, freiras e camponeses que começavam a chegar. Havia alguns jornalistas presentes, mas eu era a única pessoa naquele lugar que já tinha visto Guevara com vida, e podia certificar que verdadeiramente aquele corpo era do Che. Eu o havia conhecido em Havana quatro anos antes, em 1963. A maioria dos correspondentes estrangeiros chegaram no dia seguinte, quando o corpo de Guevara já havia sido limpo e as famosas fotografi as foram tiradas. Durante a noite, tive que viajar a Santa Cruz para enviar minha reportagem. No caminho, escutei o serviço da BBC World sobre a notícia de que Guevara havia sido capturado e morto. Foi neste momento que me dei conta do desastre e da tragédia que eu havia testemunhado. Até aquele momento, eu estava excitado com a perspectiva do “furo” jornalístico. A partir de então, passei a refletir sobre as implicações políticas relacionadas à morte do Che.

    Neste período os EUA negavam qualquer participação no combate à guerrilha boliviana. Como reagiram os estadunidenses à publicação da sua reportagem que denunciava a participação da CIA?
    Os EUA ignoraram a reportagem. Conforme um acordo de intercâmbio, o jornal Washington Post poderia utilizar o material impresso no The Guardian e vice-versa. Nesta ocasião, eles ignoraram minha história. O New York Times publicou uma extensa matéria da Reuters em que todas as referências sobre a presença da CIA haviam sido suprimidas. A história não foi reconhecida, nem mencionada, pela grande imprensa estadunidense até um ano depois.

    Durante o tempo em que percorreu a Bolívia, como o senhor avaliou a situação da campanha guerrilheira de Che entre os bolivianos?
    Viajei pela Bolívia em 1967, no período final da campanha guerrilheira de Guevara. Eu sabia que naquele momento, as forças de Guevara estavam divididas e sua maioria estava isolada do mundo exterior. Grande parte dos simpatizantes da guerrilha nas cidades haviam sido detidos e as minas de estanho do Altiplano – a principal área de mobilização da esquerda política – estavam sob toque de recolher. Ao mesmo tempo, muitos dos benefícios conquistados pelos camponeses depois da reforma agrária de 1953 haviam desaparecido. Em algumas regiões, os velhos latifundiários haviam retomado suas propriedades.

    Quem era o Che e de que maneira se transformou em uma figura romântica, um símbolo pop?
    Guevara era, antes de mais nada, um revolucionário de jornada completa. Ele levou os poemas de Pablo Neruda na mochila, mas sua música favorita era o som das metralhadoras. Diferentemente dos teóricos socialistas mais recentes, Guevara depositou sua confiança em indivíduos, mais do que nas massas. Após sua morte, Guevara se converteu em uma figura revolucionária de usos múltiplos, um símbolo de uma rebelião adolescente. Ele tem sido neutralizado na figura de um ídolo pop, típico da degradação cultural das sociedades ocidentais. Na vida real era um revolucionário genuíno que acreditava na necessidade de transformar a sociedade e pensava que isso poderia ocorrer por meio da guerra de guerrilhas.

    Quarenta anos depois, o Che passou a ser uma das referências de governos latinoamericanos como a Venezuela, Equador e Bolívia. O que isso representa?
    Guevara foi parte e partícipe da revolução cubana de 1959, o acontecimento mais significativo da história latino-americana desde as guerras de independência do século 19. Dessa maneira, Guevara se converteu em um exemplo permanente da possibilidade de transformação radical. A América Latina se inclina à esquerda no início do século 21, e é inevitável que sua bandeira revolucionária outra vez seja reconhecida pelos governos que buscam a transformação de seus países. Que o Che seja homenageado na Bolívia de hoje, 40 anos depois, sem dúvida, é um motivo de alegria.

    quinta-feira, 13 de agosto de 2009

    Feliz Aniversário Comandante Fidel Castro

    Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
    Fidel la dignificó para andar por estas tierras.



    domingo, 19 de julho de 2009

    19a. Parte: Reflexiones Sobre Las Revoluciones Interrumpidas


    por Florestan Fernandes


    Los requisitos de la acumulación capitalista (y, por lo tanto, de la aceleración del desarrollo económico y de la explotación dual) son también los requisitos de la sustitución de las clases dominantes por clases verdaderamente revolucionarias o, en otraspalabras, por el advenimiento de una revolución que no se extinguiráa nivel político. Aun aquí el paralelismo cubano es relevante.

    La Revolución Cubana revela la naturaleza íntima de la revolución en avance, que tiene que disgregar y destruir todo el orden preexistente hasta el fondo y hasta el fi n, para echar las bases de la formación y de la evolución históricas de un nuevo patrón de civilización. Los portugueses, los españoles, sus sucesores en el condominio del Estado capitalista “oligárquico” o “autocrático” y sus poderosos aliados imperiales no podrían realizar esa misión. Modernizando, transfi riendo o innovando, ellos estaban reproduciendo el pasado en el presente, creando un futuro que no contenía una auténtica historia propia, un genuino proceso civilizador original. Éstos sólo podrían brotar tardíamente, en función del surgimiento de clases dominantes revolucionarias salidas de la masa de toda la población y representantes de toda la población.

    quinta-feira, 18 de junho de 2009

    Passagens da Guerra Revolucionária - Pino del Agua II

    Por Cmte. Ernesto Che Guevara

    Pino del Agua Estava defendida pela companhia do capitão Guerra, muito bem entrincheirada e fortificada. É o ponto mais avançado sobre a Serra Maestra. O objetivo do ataque não era tomara a serraria, senão estabelecer um cerco que obrigasse o exército a mnadar tropas em sua ajuda.

    Às cinco e trinta da manhã do dia 16 de fevereiro iniciaram o ataque forças da quarta coluna, sob o mando do capitão Camilo Cienfuegos. O ataque foi levado em forma tão violenta que tomaram-se os postos sem nenhuma dificuldade ocasionandoao inimigo oito mortos, e vários feridos. A partir desse momento se intensificava a resistência inimiga.

    Não realizou-se em Pino del Agua o total do ambicioso plano concebido pelo Estado Maior de nosso exército, mas se obteve uma vitória completa sobre o exército , destruindo ainda mais sua já claudicante moral de combatente; e demonstrando à nação inteira a força crescente da Revolução e de nosso exército revolucionário, que se dispõe a baixar à planície e continuar sua série de vitórias.

    domingo, 7 de junho de 2009

    Moral comunista y hombre nuevo


    Che Guevara
    el sujeto y el poder

    , por Néstor Kohan

    Rompiendo definitivamente con la visión materialista vulgar tan presente en pretendidos custodios de "la ortodoxia", que interpreta el marxismo como una ideología modernizadora unilateralmente asentada en las fuerzas productivas y la producción material, Guevara considera que "Marx se preocupaba tanto de los factores económicos como de su repercusiónen en el espíritu. LLamaba a esto 'hecho de conciencia'. Si el comunismo se desinteresa de los hechos de conciencia, podrá ser un método de distribución, pero no será jamás una moral revolucionaria"18.

    En ningún momento el Che aceptaba la habitual visión dicotómica que confundía la célebre metáfora edilicia ("estructura-superestructura") del prólogo de 1859 a la Contribución a la crítica de la economía pólítica con una explicación acabada de la totalidad social, recluyendo la conciencia y la moral al mero reflejo de la estructura productiva. Esa visión dicotómica e ingenuamente "productivista" conducía en el período de la transición socialista - cuando se discutían las vías estratégicas para llegar al comunismo- a consecuencias trágicas para los revolucionarios anticapitalistas. El evidente desprecio con que los regíme burocráticos del Este trataron los problemas de la moral revolucionaria y los de la hegemonía le dan retrospectivamente la razón a Guevara.

    Fue precisamente Antonio Gramsci quien más se preocupó por el evidente retraso en el desarrollo de las llamadas "superestructuras" durante la transición socialista. Esta preocupación común entre Guevara y Gramsci -aun reconociendo el vocabulario menos rico y más simple que el argentino empleaba en comparación con el del italiano- se puede encontrar en el énfasis que el primero puso en el desarrollo del comunismo como una nueva moral y una nueva manera, no sólo de distribuir la riqueza social, sino también de vivir, y en el tratamiento gramsciano de la revolución socialista como una gran reforma intelectual y moral que 'eleve a las almas simples' y construya -junto a las transformaciones económicas y políticas- una nueva hegemonía y una nueva cultura. Un proyecto todavía por realizar.

    En tiempos como los nuestros, cuando la guerra entre los poderosos y los revolucionarios ha tomado como terreno de disputa a la cultura, la perspicacia de aquellas iniciales advertencias de Gramsci y del Che se han vuelto más actuales que nunca. Sin atender en primer lugar a los problemas de la ideología, los valores y la cultura jamás habrá socialismo. El régimen capitalista lo sabe y ejerce mediante sus complejos de industria cultural un bombardeo sistemático sobre las conciencias, que no por grosero se torna menos efectivo. Hay que convencer a todos y en todo momento que el socialismo es a lo sumo una bella idea pero absolutamente impracticable. El único modo posible de vivir es el de Hollywood, el Mc Donalds y Beberly Hills. Más allá está "el enemigo", aquellos "chicos malos" contra los cuales hace treinta años peleaba el Pato Donald en las historietas de Disney.

    Para Guevara, los problemas de la cultura, estrechamente ligados con los de la conciencia, no son un mero reflejo pasivo y secundario de la producción material ni un apéndice subsidiario de la "locomotora económica" de las fuerzas productivas. Por el contrario, los problemas de la nueva cultura, de los nuevos valores, de una nueva hegemonía y en definitiva, de una nueva subjetividad histórica -que eso y no otra cosa es su "hombre nuevo"- son esenciales para la construcción de una sociedad cualitativamente distinta a la mercantil capitalista.

    El Che, que probablemente ni se haya imaginado la fragilidad y rapidez con que desapareció el mundo y las potencias del Este, no se había equivocado al señalar los peligros. No ahora que están a la vista sino en los momentos de "auge económico" y triunfalismo político. Había que ver lejos y él lo hizo. No por genialidad sino porque había utilizado las herramientas metodológicas del marxismo de manera creadora, sin los moldes de la cristalización mental.

    Su apasionado rescate del Marx humanista que prioriza el tratamiento de los "hechos de conciencia" junto a la consideración de los procesos productivos está basado en la lectura de los Manuscritos de 1844. Si bien es cierto que la corriente historicista de la praxis rechazaba todo humanismo especulativo de corte existencialista, tomista o neokantiano, al mismo tiempo rescataba junto a la construcción científica de El Capital, el análisis humanista del Marx juvenil.

    Refiriéndose a los Manuscritos, sostiene Guevara que "incluso en su lenguaje el peso de las ideas filosóficas que contribuyeron a su formación se notaba mucho, y sus ideas sobre la economía eran más imprecisas. No obstante Marx estaba en la plenitud de su vida, ya había abrazado la causa de los humildes y la explicaba filosóficamente, aunque sin el rigor científico de El Capital"19. Es decir que en su óptica la problemática filosófica del joven Marx carece del instrumental científico que aportará la investigación de El Capital, pero delinea ya la dirección en la que se moverá su pensamiento maduro. Agregaba entonces que en los Manuscritos Marx "pensaba más como filósofo y, por tanto, se refería más concretamente al hombre como individuo humano y a los problemas de su liberación como ser social".

    Si esta es la visión global de Guevara sobre el joven Marx, no cambiará su óptica cuando se refiera a la madurez y a su elaboracióin científica: "En El Capital Marx se presenta como el economista científico que analiza minuciosamente el carácter transitorio de las épocas sociales y su identificación con las relaciones de producción". Una vez caracterizado el corpus teórico de la madurez como "científico" Guevara insiste en diferenciarse de las lecturas neopositivistas del marxismo afirmando que "el peso de este monumento de la inteligencia humana es tal que nos ha hecho olvidar frecuentemente el carácter humanista (en el mejor sentido de la palabra) de sus inquietudes. La mecánica de las relaciones de producción y su consecuencia; la lucha de clases oculta en cierta medida el hecho objetivo de que son los hombres los que se mueven en el ambiente histórico". Aquí está conjugado y resumido el eje que explica la acusación elíptica que Louis Althusser le dirige en Para leer El Capital. Sí, Althusser sabía de que se trataba.

    17Cfr."El socialismo y el hombre en Cuba". Op. Cit.p.13.Sánchez Vázquez ha intentado mostrar como este cuestionamiento explícito al realismo socialista estaba en perfecta coherencia con su concepción humanista y praxiológica del marxismo. Cfr. Sánchez Vázquez: "El Che y el arte". En Casa de las Américas N°169, año XXIX, julio-agosto de 1988. p.123-128 y también "El socialismo y el Che". En Casa de las Américas N°46, octubre de 1967. 18Cfr.Guevara: "El comunismo debe ser también una moral revolucionaria". Entrevista concedida a Express. Obra Citada.p.243. 19 Cfr.Guevara: "Sobre el sistema presupuestario de financiamiento". En El socialismo y el hombre nuevo. Obra citada.p.270.