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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Passagens da Guerra Revolucionária: Surpresa nos Altos de Espinosa

Setembro, mês Amílcar Cabral







Contada pelo Cmte. Che Guevara

Depois da surpresa aérea narrada previamente, abandonados a colina de Caracas tratando de voltar em nossos passos a zonas conhecidas, a onde pudéssemos estabelecer contato direto com Manzanillo, receber mais ajuda do exterior e compreender um pouco melhor a situação existente no resto do país.

Ciro Frías chegou com alguns companheiros novos incorporados à guerrilha, Julio Zenón Acosta, foi meu primeiro aluno na Sierra; estava fazendo esforços por alfabetizá-loe nos lugares onde nos detínhamos ia-lhe ensinando as primeiras letras; estávamos na fase de identificar A e a O, a E e a I. Com muitot empenho, sem consideraros anos passados mas o que restava por fazer, Julio Zenón se tinha dado o trabalho de alfabetizar-se. Talvez seu exemplo neste ano pudesse servir a muitos camponeses, companheiros dele daquela zona no tempo da guerra ou a aqules que conheçam sua história. Porque Julio Zenón Acosta foi outras das grandes ajudas daquele momento e era o homem infatigável, conhecedor da zona, o que sempre ajudava o companheiro em infortúnio ou o companheiro da cidade que ainda não tinha bastante força para sair de um atoleiro; era o que trazia a água da distante aguada, o que fazia o fogo rápido, o que encontrava o objeto necessário para acender o fogo num dia de chuva; era, enfim, o homem orquestra daqueles tempos.

Uma das últimas noites antes de conhecer-se sua traição, Eutimio manifestou que ele não tinha manta, que se Fidel lhe podia emprestar uma. Na cima das colinas, naquele mês de fevereiro, fazia frio. Fidel respondeu-lhe que daquela forma iam passar frio os dois, que dormisse ele cobrindo-se com a mesma manta e assim os dois casacos de Fidel serviriam melhor para cobrir a ambos.

E foi assim: Eutimio Guerra passou toda a noite com Fidel, com uma pistola 45, com a qual Casillas lhe tinha encomendado matá-lo, com um par de granadas com as que tinha que proteger sua retirada. Uma boa parte da Revolução de Cuba esteve pendente dos labirintos mentais, das somas e subtrações de valor e medo, de terror e, taqlvez, de escrúpulos de consciência, de ambições de poder e de dinheiro, de um traidor; mas por sorte para nós, a soma de fatores de inibição foi maior e chegou o dia seguinte sem que acontecesse nada.

Próxima passagem da guerra revolucionária: "O Fim de um Traidor"