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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

XVI BRIGADA SUL-AMERICANA: “Dedicada al 50 Aniversario del Triunfo de la Revolución”

Brigadas Cubanas

XVI BRIGADA SURAMERICANA DE SOLIDARIDAD CON CUBA

Ciudad de La Habana, 14 de mayo de 2008

"Año 50 de la Revolución"

Estimada amiga (o):

Reciba el saludo fraterno y cordial del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos.

Cada año el Instituto acoge con simpatía e inmensa satisfacción a la Brigada Suramericana de Trabajo Voluntario y Solidaridad con Cuba; integrada por delegaciones de Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Paraguay y Uruguay.

La Brigada tiene como objetivos coadyuvar a una mayor compresión de la realidad cubana y la realización de jornadas de trabajo voluntario como aporte al desarrollo agrícola y a la esfera productiva del país.

El programa contempla visitas a lugares de interés históricos, económico, cultural y social; tanto en la capital como en provincias, la impartición de conferencias sobre la actualidad nacional, y encuentros con organizaciones de la sociedad cubana.

En este 2009 recibiremos la XVI edición de la Brigada Suramericana, cuyo programa se desarrollará del 26 de enero al 8 de febrero en las provincias de La Habana, Ciudad de La Habana y Granma, con variadas y atractivas visitas de interés. Se adjunta programa para mayor información.

Son 14 noches de estancia: de ellas 10 en el Campamento Internacional “Julio Antonio Mella” (CIJAM), ubicado en el municipio Caimito, a 45 Km. de la Ciudad de La Habana, y 4 noches en hoteles de Granma, una de las más bellas provincias de la rebelde ayer hospitalaria hoy y heroica siempre región oriental de nuestro país

La estadía tendrá un costo de 350.00 CUC que incluye alojamiento (en habitaciones compartidas hasta 8 personas en el caso del CIJAM), pensión alimentaría completa, transfer in – out y transportación a todas las actividades del programa.

Las jornadas de trabajo agrícola se efectuarán en áreas aledañas al CIJAM. Este campamento, creado en el año 1972, cuenta con condiciones adecuadas para satisfacer la vida colectiva y las necesidades de las personas que nos visitan de diferentes partes del mundo.

La ascendente participación en la brigada denota la motivación por conocer Cuba y la creciente solidaridad que despierta nuestro proyecto social, sobre la base de dos pilares fundamentales: la condena al bloqueo impuesto por Estados Unidos y el respeto a nuestra autodeterminación e independencia.

Con su asistencia el brigadista se compromete a cumplir con el programa señalado y a observar adecuadamente las normas de conducta, disciplina y convivencia social.

Mucho nos agradaría contar con su presencia en la XVI Brigada Suramericana, por lo que le invitamos cordialmente a participar de la misma.

Las inscripciones estarán abiertas para los interesados hasta 20 de diciembre de 2008. Rogamos nos mantengan informados de la fecha, hora y vuelo de llegada de los brigadistas.

P R O G R A M A: Español e Português


No se trabajarán paquetes por menos de 7 días.

Fraternalmente,

Fabio Simeón González

Director

XVI Brigada Suramericana de

Trabajo Voluntario y Solidaridad con Cuba

ICAP

CUBA

  • Localização:

A República de Cuba é um arquipélago constituído pela ilha de Cuba, a Ilha da Juventude e mais de 4.000 pequenas ilhas. Situada à entrada do Golfo do México, em pleno Mar do Caribe, ocupa uma superfície total de 110.922 Km² e 5.000 km de costa. Lembra a forma de um crocodilo.

  • População: Cerca de 11 milhões
  • Idioma: espanhol
  • Moeda: peso cubano e CUC
  • Fuso horário: – menos 2 horas. De abril a outubro, menos 1 h (horário de Brasília)
  • Províncias – Pinar Del Rio - La Habana - Matanzas – Cienfuegos - Santa Clara- Sancti Spiritus - Ciego de Ávila – Camaguey - Las Tunas - Holguín - Granma - Santiago de Cuba – Guantánamo - Município especial Isla de la Juventud.
  • Atividades Econômicas: açúcar, tabaco, turismo, medicina, níquel.

BREVE HISTÓRIA

O arquipélago foi descoberto por Cristóvão Colombo em 27 de outubro de 1492. Na conquista, os espanhóis exterminaram a sua população aborígene, substituída por escravos africanos. Durante mais de quatro séculos, a Ilha permaneceu como colônia espanhola, etapa em que foram forjadas as características da Nação cubana, sua história, sua cultura e tradições. Esse processo se consolidou com as lutas de independência que começaram em 10 de outubro de 1868 e durou mais de 30 anos, tendo como protagonistas Carlos Manoel de Céspedes (Pai da Pátria e iniciador da luta), Antônio Maceo, Máximo Gómez (dominicano) e José Martí (herói nacional e mentor intelectual da nação cubana).

Diante da iminência do triunfo cubano em 1898, os Estados Unidos declararam guerra contra Espanha e frustraram os mais caros sonhos de independência do povo cubano.

A guerra terminou com o Tratado de Paris, em 10-12-1898, no qual os Estados Unidos receberam o controle absoluto de Porto Rico e Filipinas e ocuparam Cuba militarmente. Em 20 de maio de 1902 foi concedida a Cuba uma independência formal que, de fato, fez do país uma neo-colônia dos Estados Unidos com a instituição da Emenda Platt - dispositivo legal inserido na Carta Constitucional de Cuba que dava a eles, EUA o direito de intervir em Cuba sempre que julgassem necessário e também o direito de estabelecer bases militares permanentes na Ilha.

FIDEL CASTRO liderou o início da luta do povo cubano pela verdadeira libertação contra a ditadura de Fulgêncio Batista com a tomada do Quartel Moncada (Santiago de Cuba) em 26 de julho de 1953 e que culminou no dia 1° de janeiro de 1959, com o triunfo da Revolução Cubana. Abel e Haydée Santamaría, Célia Sanchéz, Raúl Castro, Juan Almeida, Frank País, Che Guevara (médico argentino), Camilo Cienfuegos, dentre outros, são nomes de destaques nessa luta vitoriosa (1953-1959).

PERSONAGENS DESTACADOS DA HISTÓRIA DE CUBA

  • José Martí : Herói Nacional de Cuba, poeta, escritor, orador, catedrático, agente consular, jornalista, estadista e Patriota.

Dedicou sua breve vida à luta pela independência de Cuba e morreu em combate em 1895, durante a Guerra da Independência (1868 a 1895).

Homem terno e sonhador, mas um revolucionário implacável”, assim o definia Florestan Fernandes.

  • Antonio Maceo: Figura importante na luta pela Independência. Morreu em combate em 7-12-1896.
  • Carlos Manoel de Céspedes - Liderou o levante contra o governo espanhol e iniciou a libertação dos seus escravos. Dá início em 10-10-1868 à 1ª guerra da Independência.
  • Julio Antonio Mella: Um dos fundadores do Partido Comunista de Cuba, 1925. Líder estudantil, fundador da FEU (Federação Estudantil Universitária).
  • Camilo Cienfuegos - Chegou junto com Fidel na expedição do Granma em 1956 como soldado e tornou-se comandante de uma coluna rebelde desde o Oriente até Pinar del Rio. Homem do povo que saiu do povo.
  • Che Guevara - Líder guerrilheiro, poeta, médico, fotógrafo, ministro, escritor, leitor, meigo, homem de ação, internacionalista, austero, solidário, operário. “O ser humano mais completo da nossa era”,disse Sartre.

DATAS COMEMORATIVAS

· 28 de janeiro - Nascimento de José Martí, Herói Nacional de Cuba (1859-1895)

  • 24 de fevereiro - Início da segunda etapa da Guerra de Independência (1895) e proclamação da Constituição Socialista da República de Cuba (1976).
  • 13 de março - Tomada do Palácio Presidencial de Fulgêncio Batista por um grupo de jovens revolucionários universitários (1957). Neste confronto morreu José Antonio Echevarría.
  • 19 de abril – Vitória de Playa Girón, Baía dos Porcos, primeira derrota dos EUA na América (1961).
  • 19 de maio - Morte em combate de José Martí, em Dos Rios, Cuba (1895).
  • 30 de julho – Assassinato de Frank País (1957) e Dia dos Mártires da Revolução.
  • 08 de outubro – Morte em combate de “Che” Guevara, na Bolívia (1967).
  • 28 de outubro - Desaparecimento de Camilo Cienfuegos (1959).
  • 27 de novembro – Execução de oito estudantes de medicina pelo governo colonial espanhol (1871).
  • 02 de dezembro – Desembarque do Granma em Cuba (1956).
  • 07 de dezembro – Morte de Antonio Maceo (1896) e Dia dos mártires internacionalistas cubanos.
  • 22 de dezembro – Declaração de Cuba como Território Livre de Analfabetismo (1962).

FERIADOS EM CUBA

  • 1° de janeiro - Triunfo da Revolução Cubana
  • 1° de maio - Dia Internacional dos Trabalhadores
  • 26 de julho - Assalto ao Quartel Moncada. – Dia da Rebelião Nacional
  • 10 de outubro – Início das guerras de independência.

BLOQUEIO DOS EUA A CUBA

O bloqueio iniciou-se em 07-02-1962 e continua até hoje. Foi reforçado em 1992 com a Lei Torricelli e, em 1996, com a Lei Helms Burton. Em 1999, Bill Clinton ampliou o bloqueio comercial, proibindo que as filiais estrangeiras de companhias dos EUA comercializassem com Cuba.

Em 2007, pela 16ª vez, a ONU pede o fim do bloqueio a Cuba. Este bloqueio econômico, comercial e financeiro que dura quatro décadas fere a carta da ONU e o Direito Internacional. 184 países votaram a favor do fim do bloqueio e apenas EUA, Israel, Ilhas Marshall e Palau votaram contra o fim de bloqueio nesse mesmo ano. Mas nada mudou em relação à política agressiva e extremamente hostil dos Estados Unidos.

ALGUMAS AUTORIDADES DE CUBA

  • Fidel Castro: líder máximo da Revolução Cubana desde 1953, membro do Bureau Político.
  • Raúl Castro: Presidente da República de Cuba e do Conselho de Estado e de Ministro[1]; está ao lado de Fidel desde a fundação do Movimento 26 de Julho.
  • Ricardo Alarcón: Presidente do Parlamento Cubano e Vice – Presidente do Conselho de Estado.
  • Felipe Pérez Roque: Ministro das Relações Exteriores. Foi presidente da FEU.
  • Carlos Lages: Secretário do Conselho de Ministros, Vice – Presidente do Conselho de Estado.Foi Presidente da FEU; (Federação dos Estudantes Universitários).
  • Abel E. Prieto Jiménez : Ministro da Cultura
  • Ena Elsa Velásquez : Ministra da Educação
  • Bernardo Pericás Neto : Embaixador do Brasil em Cuba
  • Pedro Núñez Mosquera : Embaixador de Cuba no Brasil - Embaixada em Brasília.
  • Carlos Trejo : Cônsul de Cuba no Brasil - Consulado em São Paulo.

ICAP - INSTITUTO CUBANO DE AMIZADE ENTRE OS POVOS.

Este Instituto tem a finalidade de promover o intercâmbio cultural e fortalecer os laços de amizade com os povos. Alguns representantes do ICAP:

  • Henrique Romano- Vice- Presidente
  • José Estevez Hernández- Diretor da América Latina e Caribe
  • Fabio Semeón González - Responsável pelo Brasil
  • Juan Carlos - Diretor do Acampamento – CIJAM (Campamento Internacionalista Julio Antonio Mella).

BRIGADA DE TRABALHO VOLUNTÁRIO

Projeto social que tem como finalidade uma maior compreensão da realidade cubana. Faz parte da programação dos internacionalistas a realização de jornadas de trabalho voluntário, iniciado por Che Guevara, como apoio ao desenvolvimento agrícola do país. Inclui visitas a lugares de interesses históricos, econômicos e sociais.

LUTA ATUAL DO POVO CUBANO

  • Retorno dos cinco heróis:- Geraldo, Antonio, Ramon, Fernando e René, presos injustamente há nove anos nos EUA em cárceres de segurança máxima. São privados do direito de serem visitados regularmente por seus familiares. Foram presos por lutarem contra o terrorismo. Existem comitês de solidariedade pela libertação dos “cinco” em 99 países, incluindo o Brasil.
  • Prisão para o terrorista Luís Posada Carriles que provocou vários atentados terroristas em Cuba. Derrubou o avião da Cubana de Aviación em 1976 que matou 73 cubanos, tendo sido absolvido pelo governo dos EUA.
  • Rompimento do Bloqueio
  • Integração Latino Americana.

LUGARES PARA VISITAR EM HAVANA

Capitólio - Catedral - Malecón - Museu da Revolução - Memorial José Martí - Hotéis Havana Livre e Nacional - La Bodeguita del Médio - Tribuna Anti-Imperialista José Martí (com o “Monte de Bandeiras”: são 138 bandeiras representando 138 anos de luta contra o Imperialismo e uma bandeira branca) - Universidade da Havana - Maquete de Havana - Copélia (sorveteria na praça que leva o mesmo nome) - Museu Nacional de Arte.

MOVIMENTO DE SOLIDARIEDADE A CUBA no Brasil

Este movimento existe no Brasil, através das Entidades de Solidariedade a Cuba e de outras iniciativas, com o objetivo de promover o intercâmbio cultural com CUBA e fomentar a integração da América Latina. Já foram realizados 8 Encontros e 16 Convenções Nacionais, em diferentes Estados Brasileiros. A XVII Convenção de 2009, será em Florianópolis, SC, no feriado de Corpus Christi.

INFORMAÇÕES DE ALGUNS SITES

www.granma..cu

http://www.cubasocialista.cu/

http://www.cubadebate.cu/

www.icap.cu

http://www.unb.br/ceam/nescuba/

“Solidarizar-se com Cuba é solidarizar-se com todos os Povos do Mundo”

Belo Horizonte/Minas Gerais, julho de 2008

Telma Araújo: telma.araujo@superig.com.br

Colaboração: Maria José Silva e Maria Auxiliadora César


[1] Conselho de Ministros – máximo organismo administrativo do Estado cubano. Seus integrantes são nomeados pela Assembléia Nacional do Poder Popular.



terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mês Fidel Castro - Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu no dia 13 de agosto de 1926

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de mais de 20 obras, entre as quais De Marti a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina


Fidel Castro, a revolução cubana e a América Latina

por Luiz Alberto Moniz Bandeira*

De Marti a Fidel: a Revolução Cubana e a América LatinaQuando o ditador Fulgêncio Batista, sem mais condições de manter-se no poder, renunciou durante o reveillon de 1959 e, secretamente, fugiu de Cuba para a República Dominicana, não foi só o seu governo que caiu. Todo o Estado cubano se havia desintegrado e 1959 tornou-se um ano realmente novo. Dias depois, centenas de guerrilheiros barbudos, grande parte de guajiros (trabalhadores do campo), sujos, uniformes rasgados, entraram em Havana, sob o comando de Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Era o clímax de uma epopéia, iniciada por apenas 16 sobreviventes, dos 82 que desembarcaram do iate Granma, no litoral Cuba, em 2 de dezembro de 1956. Fidel Castro tinha então 25 anos e, durante dois anos, comandou a guerra de guerrilhas, juntamente com seu irmão Raúl Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, organizando o Exército Rebelde, que destruiu a ditadura dos sargentos Fulgêncio Batista, respaldada pelos Estados Unidos.

A revolução cubana foi o fato político mais poderoso e o que maior impacto causou na América Latina, ao longo do século XX, não por causa do seu caráter heróico e romântico ou porque o regime implantado por Fidel Castro evoluiu posteriormente para o comunismo, mas porque ela exprimiu dramaticamente as contradições não resolvidas entre os Estados Unidos e os demais países da região. Não foram os comunistas que promoveram a revolução cubana, no contexto da na Guerra Fria. Conquanto alguns de seus líderes, como Ernesto Che Guevara e o próprio Fidel Castro, em pequena medida, acolhessem idéias marxistas, eles não pertenciam a nenhum partido comunista e não era inevitável que a revolução cubana se desenvolvesse a tal ponto de identificar-se com a doutrina comunista e instituísse a sua forma de governo. Com razão, o historiador Thomas Skidmore, da Brown University, apontou Cuba como “um estudo clássico do fenômeno nacionalista”, acrescentando que o povo podia ver o caráter autoritário do regime, mas “o real apelo do regime de Castro era o nacionalismo”. Com efeito, a revolução cubana foi autóctone, teve um caráter nacional e democrático, e a implantação de um regime segundo o modelo dos países do Leste Europeu resultou de uma contingência histórica, não de uma política empreendida pela União Soviética, ma, sim, empreendida pelos Estados Unidos que, sem respeitar os princípios da soberania nacional e autodeterminação dos povos, não aceitaram os atos da revolução, como a reforma agrária, e transformaram contradições de interesses nacionais em um problema do conflito Leste-Oeste.

De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina (editora Civilização Brasileira)Em abril de 1959, quatro meses após a tomada do poder em Havana, Fidel Castro esteve em Buenos Aires, a fim de participar conferência do Comitê dos 21, organismo encarregado de estruturar a Operação Pan-Americana, e seu discurso, segundo o então presidente Juscelino Kubitschek, refletiu “melhor do que os demais a tragédia da América Latina”, dada a crueza que ressaltava de suas palavras. Causou “verdadeiro impacto” ao reclamar dos Estados Unidos uma ajuda financeira à América Latina, no valor de US$ 30 milhões. Kubitschek, após conversar com Fidel Castro em Brasília e ter “a oportunidade de conhecer, em profundidade, seu pensamento”, concluiu que ele era “um idealista amargurado, que sofrera na carne as conseqüências do apoio dado pelos Estados Unidos às ditaduras na América Latina”, uma vez que Cuba fora marcada por “longa tradição de tirania” e seu povo, havendo suportado “o garrote do regime de Batista, não conseguia separar a trágica realidade da situação interna do apoio irrestrito de Washington ao opressor do país”.

Ao regressar de Buenos Aires, Fidel Castro passou pelo Rio de Janeiro e fez um discurso na Praça Barão Rio Branco, organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e no qual repetiu basicamente o que dissera em Buenos Aires: “Ni pan sin liberdad ni libertad sin pan”. Lembro-me bem destas suas palavras, pois estava ao seu lado no palanque. E, em Havana, Fidel Castro voltou a reiterar que “la ideología de nuestra revolución es bien clara; no solo ofrecemos a los hombres libertades sino que le ofrecemos pan. No solo le ofrecemos a los hombres pan, sino que le ofrecemos también libertades”. Ao longo do discurso, durante o qual tratou de definir a ideologia da revolução, Castro, após salientar que no mundo se discutiam duas concepções, a que oferecia aos povos democracia e matava-os de fome e a que oferecia pão, mas lhes suprimia as liberdades, afirmou:

“Nosotros nos vamos poner a la derecha, no nos vamos poner a la izquierda, ni nos vamos poner en el centro, que nuestra Revolución no es centrista. Nosotros no vamos poner un poco más adelante que la derecha y que la izquierda. Ni a la derecha ni a la izquierda, un paso más allá de la derecha y de la izquierda”.

Em abril de 1960, quando estive em Havana, acompanhando Jânio Quadros, então candidato à presidência do Brasil, vi Fidel Castro mostrar-lhe um crucifixo que trazia pendurado no pescoço, indicando que não era comunista e que respeitava a Igreja. Mas, um ano depois, em 16 de abril de 1961, após o bombardeio dos aeroportos de San Antonio de los Baños, Santiago e Havana pelos aviões da CIA, Fidel Castro, após compará-lo, com justo motivo, ao ataque pérfido e traiçoeiro do Japão a Pearl Harbor, em 1941, declarou que os Estados Unidos não perdoavam Cuba porque “esta es la revolución socialista y democrática de los humildes, con los humildes y para los humildes”.

Ao fazer essa declaração, Fidel Castro buscou comprometer a União Soviética na defesa de Cuba. Ele jogou com o conflito político e ideológico que então eclodira entre Moscou e Pequim e dividira o Bloco Socialista, pois temia que Nikita Kruchev, na linha coexistência pacífica e em entendimento com John Kennedy, trocasse Cuba por Berlim Ocidental, em prol de melhores relações com os Estados Unidos. A proclamação do caráter socialista da revolução cubana, porém, representou igualmente duro golpe nos dogmas cristalizados por Joseph Stalin e outros líderes comunistas, sob o rótulo de marxismo-leninismo, uma vez que ela fora realizada não por um partido supostamente operário, constituído sob as normas do chamado centralismo-democrático e rotulado de comunista, mas pelo Movimento 26 de Julho, uma organização composta, sobretudo, por elementos das classes médias, que, no curso da guerra de guerrilhas, passaram a incorporar camponeses e trabalhadores rurais, os guajiros, ao Exército Rebelde, em benefício dos quais realizaram a reforma agrária.

De conformidade com a ortodoxia stalinista, Cuba não tinha condições materiais senão para realizar uma revolução agrária e democrática, mediante a instalação de um “governo patriótico”, de união com a burguesia progressista, que se propusesse a impulsionar o processo de industrialização e, libertando o país do domínio imperialista, promover o desenvolvimento econômico e a emancipação nacional. Os dirigentes comunistas, que visitavam Havana, consideravam a revolução em Cuba estranha ao modelo, por eles reconhecido, dado lá não existir um operariado industrial, e julgavam Fidel Castro e seus companheiros um “grupo inexperiente, com formações ideológicas diversas e pouco definidas”, orientados pelo que qualificaram como “marxismo amador, ou melhor ainda, como cubanismo”. Ouvi quando Luiz Carlos Prestes, então secretário-geral do PCB, qualificou Fidel Castro como “aventureiro”, em entrevista à imprensa do Rio de Janeiro, em 1959.

A revolução cubana assim produziu profundas conseqüências na América Latina, onde a tendência das Forças Armadas para intervir, como instituição, no processo político, a partir de 1960, não decorreu apenas de fatores endógenos e constituiu muito mais um fenômeno de política internacional continental do que de política nacional, argentina, equatoriana, brasileira etc., uma vez que fora determinada, em larga medida, pela mutação que os Estados Unidos estavam a promover na estratégia de segurança do hemisfério, redefinindo as ameaças, com prioridade para o inimigo interno, e difundindo, através, particularmente, da Junta Interamericana de Defesa, as doutrinas de contra-insurreição e da ação cívica. Tanto isto é certo que a intervenção das Forças Armadas, a princípio, visou, sobretudo, a ditar decisões diplomáticas, a modificar diretrizes de política exterior, e ocorreu, geralmente, nos países cujos governos se recusavam a romper relações com Cuba. E daí o surto militarista, com a propagação dos golpes de Estado, que tinham como principal fonte de inspiração a Junta Interamericana de Defesa, visando a impedir que outro Fidel Castro surgisse na América Latina.

Fidel Castro foi o mais importante líder da América Latina, no século XX, e o fato de que permaneceu quase meio século no poder, apesar do bloqueio e de todas as pressões, inclusive dezenas tentativas de assassinato pela CIA, representou a maior derrota política que os Estados Unidos sofreram, apesar de seu enorme poderio econômico e militar.


* Luiz Alberto Moniz Bandeira é cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de mais de 20 obras, entre as quais De Marti a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina.