Próxima passagem da guerra revolucionária: O combate do Uvero
“Quando o extraordinário se transforma em cotidiano é a revolução”. (Cmte. Che Guevara)
BLOQUE ZONA LIVRE em Construção
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
PASSAGENS DA GUERRA REVOLUCIONÁRIA: Chegam as Armas
Próxima passagem da guerra revolucionária: O combate do Uvero
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
PASSAGENS DA GUERRA REVOLUCIONÁRIA: Jornadas de Marcha
Naquele tempo tinha que cumprir meus deveres de médico e em cada pequeno povoado ou lugar onde chegávamos realizava minha consulta. Era monótona pois não tinha muitos medicamentos que oferecer e não apresentavam uma grande diferença aos casos clínicos da Sierra; mulheres prematuramente envelhecidas, sem dentes, as crianças de ventres enormes, parasitismo, raquitismo, avitaminose em geral, eram os sinais da Sierra Maestra. ainda hoje se mantém, mas em muitas menores proporções. Os filhos destas mães da Sierra foram estudar na cidade escolar "Camilo Cienfuegos"; já estão crescidos, saudáveis, são outros moços diferentes aos primeiros esquálidos habitantes de nossa pioneira Cidade Escolar.
Eu me lembro que uma menina estava presenciando as consultas que dava às mulheres da zona, as que iam com mentalidade quase reliogiosa conhecer a razão dos seus padecimentos; a menina , quando chegou sua mãe, depois de vários turnos anteriores aos que tinha assistido com toda atenção na única peça de choupana que me servia de consultório, lhe fofocou: "Mãe, este doutor a todas lhe diz o mesmo".
E era uma grande verdade; meus conhecimentos não davam para muito mais, mas, também, todas tinham o mesmo quadro clínico e contavam a mesma história dilacerante sem sabê-lo. O que teria acontecido se o médico naquele momento tivesse interpretado que a fadiga estranha que sofria a jovem mãe de várias crianças, quando subia uma lata de água do arroio para a casa, se devia simplesmente a que era muito trabalho para tão pouca e tão baixa qualidade de comida? Esse esgotamento é algo inexplicável porque toda sua vida a mulher levou as mesmas latas de água até o mesmo destino e só agora se sente cansada. É que as pessoas da Sierra brotam selvagens e sem cuidado e se consomem rapidamente, em um corre-corre sem recompensa. Ali, naqueles trabalhos começava a conscientizar-nos a consciência da necessidade de um câmbio definitivo na vida do povo. A idéia da reforma agrária se fez nítida e a comunhao com o povo deixou de ser teoria para converter-se em parte definitiva de nosso ser.
A guerrilha e os camponeses iam se fundindo numa só massa, sem que ninguém possa dizer em que momento do longo caminho produziu-se, em que momento fez-se intimamente verídico o proclamado e fomos parte do grupo de camponeses . Só sei, no que diz respeito a mim, que aquelas consultas aos camponeses da Sierra converteram a decisão espontânea e algo lírico numa força de distinto valor e mais serena. Nunca suspeitaram aqueles sofridos e leais povoadores da Sierra Maestra o papel que desempenharam como forjadores de nossa ideologia revolucionária.
Próxima passagem da guerra revolucionária: Chegam as Armas
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
PASSAGENS DA GUERRA REVOLUCIONÁRIA: Uma Entrevista Famosa
No dia 23 de abril, o jornalista Bob Taber, e um operador cinematográfico chegavam a nossa presença; junto a eles vinham as companheiras Celia Sánchez e Haydée Santamaría e os enviados do Movimento na planície, Marcos ou Nicarágua, o Comandante Iglesias, hoje governdor de Las Villas e naquele tempo encarregado de ação no Santiago e Marcelo Fernández, que foi coordenador do Movimento e atualmente Vice-Presidente do Banco Nacional, como interprete por seus conhecimentos de inglês.
Aqueles dias passaram em conformidade com o protocolo tratando de demonstrar aos norte-americanos nossa força e tratamento de evitar qualquer perguntademasiado indiscreta; não sabíamos quem eram os jornalistas; porém, se realizaram as entrevistas com os três norte-americanos que responderam muito bem todas as perguntas segundo o novoespírito que tinham desenvolvido nessa vida primitiva ao nosso lado,ainda que eles não pudessem aclimatar-se a ela e não tivessem nada de comum conosco.
Naqueles dias se incorporou também uma da mais simpáticas e queridas personagens em nossa guerra revolucionária, El Vaquerito. El Vaquerito, junto com outro companheiro, nos encontrou um dia e manifestou estar mais de um mês procurando-nos, disse ser camagüeyano, de Morón, e nós, como sempre se fazia nestes casos, procedemos ao seu interrogatório e a dar-lhe um rudimento de orientação política, tarefa que frequentemente me correspondia. El Vaquerito não tinha nenhuma idéia política nem parecia ser outra coisa que um moço alegre e saudável que via tudo isto como uma maravilhosa aventura.
Como é bem sabido El Vaquerito não pode ver o fim da luta revolucionária, pois sendo chefe do pelotão suicida da coluna 8, morreu um dia antes da tomada de Santa Clara.
Por aqueles dias, maopde 1957, dois dos norte-americanos abandonaram a coluna com o jornalista Bob Taber que tinha acabado sua reportagem, e chegaram são e salvos a Guantánamo. Nós seguimos nosso lento caminho pela cume da Maestra ou suas ladeiras; fazendo contatos, explorando novas regiões e difundindo a chama revolucionária e a lenda de nossa tropa de barbudos por outras regiões da Sierra. O novo espírito se comunicava a La Maestra. Os camponeses vinham sem tanto temor a cumprimentar-nos e nós não temíamos a presença camponesa, posto que nossa força relativa tinha aumentado consideravelmente e santíamos-nos mais seguros contra qualquer surpresa do exército bastiano e mais amigos de nossos camponeses.
Próxima passagem da guerra revolucionária: Jornadas de Marcha
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
PASSAGENS DA GUERRA REVOLUCIONÁRIA: Adquirindo o Temperamento
Já não sobravam fuzis à tropa; ao contrário, lhe faltavam. Estávamos em uma nova época. Tinha-se produzido uma mudança qualitativa; havia toda uma zona onde o exército inimigo tratava de não intrometer-se para não colidir conosco, embora é certo que nós tampouco demonstrávamos ainda muito interesse em colidir com eles.
Batista manifestou que não era necessário falar com Fidel ou com os insubordinados; que Fidel Castro não estava na Sierra, dizia, e que ali não havia ninguém ; portanto, não havia por quê falar "com um grupo de foragidos".
Tínhamos por aquele momentoumas figuras simpáticas que serviram para a propagandastante grandesa, quase comercial, de nosso movimento, nos Estados Unidos, e que ocasionaram-no, dois deles sobretudo, algumas inconveniências. Eram os três moços ianques que escaparam de seus pais na Base Naval de Guantánamo, e que se tinham incorporado à luta. Dois deles nunca ouviram um tiro na Sierra e, esgotados pelo clima e as privações , bastante grandes, retiraram-se levados pelo jornalista Bob Taber o outroparticipou na batalha de Uvero e depois se retirou também, doente, mas agiu em um combate. Os moços ideológicamente, não estavam preparados para uma revolução e, simplesmente, saciaram seu desejo de aventuras em nossa companhia durante alguns meses. Despedimo-los com afeto, mas também com alegria. Sobretudo eu, pessoalmente, pois em minha qualidade de médico me encarregava deles frequentemente devido a que não toleravam os rigores da vida daquele tempo.
Naqueles mesmos dias, o governo passeou, em um avião do exército, a varios milhares de metros de altura, demostrando aos jornalistas que não havia ninguém na Sierra Maestra. Foi uma curiosa operação que não convenceu ninguém e uma demonstração da maneira que utilizava o governo batistiano para enganar à opnião pública.
Próxima passagem da guerra revolucionária: Uma Entrevista Famosa
terça-feira, 14 de outubro de 2008
É inaugurada na Venezuela a Praça Manuel Marulanda
As organizações que integram a Coordenadoria Continental Bolivariana na Venezuela realizaram uma homenagem póstuma ao Comandante Guerrilheiro recentemente falecido, Manuel Marulanda Vélez.
A homenagem constitui uma amostra de solidariedade do povo venezuelano ao povo colombiano, que está sendo obrigado, devido à aplicação sistemática do terrorismo de Estado, a tomar as armas para defender as causas populares, asseguraram representantes da Coordenadoria Simón Bolívar, o Partido Comunista de Venezuela, a Corrente Comunista Gustavo Machado e o Movimento 28 de Março.
Frank León, vice-presidente da Coordenadoria Simón Bolívar, expressou que é um orgulho para sua organização convocar, junto a outras organizações da região, uma homenagem a Manuel Marulanda, a quem qualificou como uma referência revolucionária.
Precisamente na sede dessa organização, o emblemático 23 de Janeiro, albergará a praça Marulanda que inaugurou-se hoje, 26, e que foi construída em largas jornadas de trabalho comunitário. O busto que encabeçará a praça já está terminado, segundo Carlos Casanueva Troncoso, Secretário Geral da CCB e será colocado ainda hoje, quando será revelado também o nome do artista que o elaborou.
Como parte da homenagem, foi lançado um livro sobre a vida e obra de Marulanda e se realizará um seminário internacional sobre o Direito dos Povos à Resistência Armada.
Roso Grimau e Santiago Palacios do Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela manifestaram que a iniciativa da homenagem surgiu na Venezuela. Por sua parte, Palacios qualificou as FARC-EP como uma organização irmã do PCV e chamou à participação das organizações populares nas jornadas de trabalho de construção da Praça e à defesa do processo revolucionário da Venezuela.
O M-28, representado por Zenaida Tahan, afirmou que a Praça Marulanda é uma legitimização dos lutadores na Colômbia e que deve ser considerada não só como uma homenagem ao chefe insurgente, mas a todos os que na Colômbia padecem por conta do regime. Para Tahan, a luta armada na Colômbia constitui uma necessidade, enquanto na Venezuela não é necessária, por encontrar-se em meio a um processo inteiramente democrático, porque nele pode dar-se livremente o "debate necessário" sobre as formas de luta.
Sergio Jiménez, da Corrente Comunista Gustavo Machado, reiterou a necessidade das organizações revolucionárias da Venezuela estenderem sua solidariedade à República irmã e somar-se à homenagem; denunciou a violação sistemática dos direitos humanos no país granadino, não sem antes rechaçar a política guerreirista do governo paramilitar de Álvaro Uribe Vélez.
O Secretário Geral da CCB, Carlos Casanueva Troncoso, afirmou que a criação do monumento para Marulanda na Venezuela é emblemática, por acontecer em meio aos ataques do império assim como na Bolívia.
Casanueva assegurou que a CCB apóia todas as formas de luta que os povos tenham para resistir e afirmou enfaticamente que "por trás de cada membro da CCB haverá um soldado a mais para defender as causas do povo" da Bolívia, Venezuela, Colômbia e assim evitar catástrofes como a que aconteceu no Chile com o golpe de Estado ao presidente Allende.
Iván Márquez: obrigado a todos
Montanhas da Colômbia, outubro de 2008
COMUNICADO DE AGRADECIMENTO
A todos os que tornaram possível a homenagem em Caracas ao Herói insurgente da Colômbia de Bolívar -o legendário Manuel Marulanda Vélez-, nossa saudação e abraço fraternal repleto do desejo infreável da Pátria Grande e o Socialismo.
Gratidão eterna de todos os guerrilheiros e guerrilheiras das FARC, de suas instâncias de comando, às organizações políticas e sociais, às almas revolucionárias e solidárias da Nossa América que, desafiando a ira do terrorismo de Estado do governo da Colômbia -reconhecido peão do império-, tornaram possível o lançamento do livro sobre o comandante Manuel no quartel San Carlos, o florescimento em uma brigada popular em Caracas de uma praça com o digno nome de Manuel Marulanda Vélez, presidida pelo busto do comandante da guerra de guerrilhas móveis, e aos participantes do Fórum "Obra e vigência do pensamento de Manuel Marulanda Vélez".
Vocês, companheiras e companheiros, impactaram com sua homenagem e afeto o coração da guerrilheirada e nos fizeram exclamar com o Libertador Simón Bolívar que nada nos deterá se o povo nos ama.
Nosso pensamento hoje vai voando até a cubana Celia Hart, pureza solidária que quis honrar com sua presença esta homenagem ao guerrilheiro inesquecível, para defender com todos nós o direito à paz, desejo frustrado pelo infortúnio de um trágico acidente... Nossas mais sentidas condolências aos seus familiares e a todos os revolucionários.
Agora que o império norte-americano se retorce nas dores de sua mais profunda crise e que, em seu desespero, acredita que a Nossa América e os povos do terceiro mundo devem pagar pelos pratos quebrados; agora que os enganosos argumentos sobre a inviabilidade da luta armada agonizam sobre um recife do embravecido mar, permita-nos propor o dia 26 de março, dia da partida de nosso Comandante em Chefe, Manuel Marulanda Vélez, como o dia do direito universal à rebelião armada.
Desde então estamos convocando para articular a resistência dos povos contra as investidas da Casa Branca, que desde o turbulento norte se remexem como violentos presságios contra a dignidade e a independência da América de Bolívar e dos pobres do sul.
Pela Comissão Internacional das FARC, compatriota,
Iván Márquez