BLOQUE ZONA LIVRE em Construção

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

O NASCIMENTO DE UM EXÉRCITO: 2 - O movimento arma-se


Por Vo Nguyen Giap

Com o andar do tempo, as nossas actívidades na China foram assinaladas polos agentes do Kuomingtang. Recebemos ordem de regressar ao país para umha nova missom.

Nos fins de 1941, eu e o camarada Tong (um dos pseudônimos de Pham Van Long) atravessamos a fronteira. O movimento em Cao Bang estava bem lançado, em muitos outros sítios começava a despontar apenas.

A Liga Víet Minh atingia já numerosos distritos. As minorias Trio e Nung aderiam com entusiasmo às Associaçons para a salvaçom nacional. Rapazes e raparigas constituíam-se em vanguarda, tanto para a propaganda e organizaçom como para o treino militar. As mulheres nom eram as menos resolutas. Em numerosas regions as crianças também se alistavam e serviam como agentes de ligaçom ou como vigias. As células do Partido ganhavam terreno nas comunas, onde o movimento era particuíarmente poderoso. Algumhas comunas, a cem por cento, começaram a aparecer a pouco e pouco, mais tarde cantons e distritos.

Nessas comunas, o Comité Viet Minh substituía-se inteiramente às autoridades legais para dirigir todos os assuntos, desde a celebraçom dos casamentos até às querelas por causa dos arrozais. A maioria dos notáveis aliavam-se à nossa causa, uns por simpatia com o movimento, outros militando abertamente no seio das associaçons para a salvaçom nacional. Os raros elementos reaccionários que sobravam, encontravam-se politicamente isolados e sob estreita vigiláncia. Estabelecia-se na base umha espécie de poder de dupla face: os notáveis, antes de irem ao distrito ou à província, vinham pedir as dírectivas ao Comité Viet Minh e, mal regressavam à aldeia, apresentavam-lhe um relatório pormenorizado.

Passava-se o mesmo com os milicianos. Na sua maioria, estavam aglutinados por nós, se é que nom eram mais ou menos simpatizantes. Para travar a escalada revolucionária, as autoridades superiores tinham dado ordem de reforçar a vigiláncia aos escalons subalternos. Cada aldeia possuía dous a três pontos de guarda. Mas como os milicianos e a populaçom local estavam do nosso lado, os postos de guarda do inimigo tornavam-se, de facto, os nossos próprios postos, e um certo número deles servia de passagem nas nossas lides clandestinas de ligaçom.

O movimento atingira igualmente as alturas habitadas pola minoria dos "Man Brancos". Estes montanheses viviam umha vida das mais miseráveis, em regions áridas, dificilmente acessíveis. Estas montanhas escarpadas eram escaladas por raras veredas, muito acidentadas. Os Man, sob a pressom dos colonialistas franceses e dos seus lacaios, mandarins e notáveis, só esperavam umha ocasiom para se revoltar. Manifestaram umha intensa alegria quando vírom pola primeira vez quadros do Viet Minh. Ficaram impressionados ao ver os Kinh, os Tho e os Man, que a política colonialista francesa tinha lançado, outrora, uns contra os outros, unirem-se fraternamente assim que passavam a militar no seio das associaçons para a salvaçom nacional. A organizaçom do Partido eclodiu rapidamente entre eles.

A uniom nacional era um dos traços mais vincados do movimento. Logo nos primeiros dias da luita clandestina, em Cao Bang, organizámos, com êxito, vários encontros amigáveis entre os delegados das diferentes minorias Tho, Man, Mung, Kinh, Chinesa, etc. Algumhas delegaçons de Man tinham efectuado visitas de cortesia no vale. Todas recebêrom um acolhimento caloroso por parte da populaçom local. De volta, essas delegaçons relatavam fielmente as suas impressons de viagem aos compatriotas. Periodicamente, nos vales e nas terras altas, organizávamos pequenas exposiçons de fotografias e gravuras sobre os crimes dos colonialistas franceses e dos fascistas japoneses e sobre a escalada das forças revolucionárias. Nessa ocasiom, mostrávamos as armas e a bandeira da Revoluçom e dávamos-lhes a conhecer a U. R. S. S. e a revoluçom mundial.

Algum tempo depois, o Comité provincial de Cao Bang foi reorganizado. No princípio de Novembro de 1942, tivo lugar o Congresso da Liga Viet Minh de Cao Bang, no decurso do qual foi eleito o Comité provincial. O aparelho de organizaçom da Liga estava a postos, doravante, do escalom da comuna ao da província, passando polo cantom e polo distrito. Nos cantons e distritos "a cem por cento" organizárom-se eleiçons democráticas a partir do escalom comunal. Após o que se formou o Comité interprovincíal de Ca-Bac-Lang (províncias de Cao Bang, Lang Son e Bac San).

Ligávamos a maior importáncia à educaçom política, para disseminar o movimento.

- É preciso primeiro conquistar o povo, dizia o Tio Ho, antes de abordar o problema da insurreiçom.

Para alargar e consolidar as organizaçons de base, abriram-se numerosos cursos de formaçom política acelerada nos diversos distritos. Mas os militantes de base gostavam pouco de abandonar as suas vilas e aldeias: isso prejudicava os trabalhos nos campos, sem contar que se arriscavam a ficar "queimados". Para superar estas dificuldades, os "instrutores" foram organizados em equipas móveis. Cada localidade tinha de preparar um centro clandestino, fonge da aldeia, onde os militantes fossem, por turnos, com víveres, para seguir cursos, durante cinco a sete dias. Ao fim de um certo tempo, quase todos os militantes das aldeias tinham passado por estes estágios. O Comité interprovincial decidiu abrir novos cursos a nível superior destinados a receber rapazes e raparigas que nom figessem parte dos Comités executivos das organizaçons de base. Eram numerosos os elementos de confiança que, nas associaçons para a salvaçom nacional, pediam para frequentar estes cursos. No final de cada estágio, invariavelmente, organizávamos umha pequena festa de amizade, para a qual eram convidados os delegados de todas as camadas da populaçom: cantava-se, dançava-se, hauriam-se novas forças para as tarefai futuras.

O Tio Ho ensinava directamente aos militantes e, às vezes, aos camponeses, na vizinhança do P. C. Os militantes locais, à parte um pequeno número, nom conheciam a língua vietnamita. As mulheres, sobretudo, ignoravam-na completamente. O Tio Ho recomendou-nos, portanto, com a maior instáncia, que aprendêssemos o Tho. Com os Man Brancos tínhamos mesmo de recorrer ao desenho para fazer compreender as nossas ideias. Para fazer compreender que franceses e japoneses exploravam o nosso povo, representávamos um francês 0 um japonês batendo em vietnamitas ou um camponês esmagado sob o peso dos impostos e dos trabalhos. Desenhávamos também um Kinh, um Man e um Tho caminhando de mao dada, para sublinhar a necessidade da uniom nacional contra o invasor. Só mais tarde é que as minorias Man tivérom a sua própria escrita. O conteúdo destes cursos era muito simples: depois da exposiçom sumária da situaçom nacional e internacional, nós explicávamos por que razom devíamos travar a luita contra os franceses e os japoneses; falamos depois da preparaçom para a insurreiçom armada, da organizaçom das associaçons para a salvaçom nacional, dos destacamentos de autodefesa, e, por fim, dos cinco pontos do trabalho clandestino. Ensinávamos, assim, a maneira de presidir às reunions, de usar da palavra em público, etc. ...

Eu era responsável por um desses grupos de instrutores. O nosso campo de actividades estendia-se sobre as regions de Hoa An e Nguyen Binh, povoadas de minorias Man Brancos. Todos estes cursos políticos obtivérom um grande sucesso. Aconteceu-me, todavia, um acidente de que sempre me recordarei. Julguei proceder bem, explicando aos militantes, fora do programa habitual, as quatro contradiçons da conjuntura internacional. Depois da última liçom, um dos melhores elementos, a que dávamos o nome de De Tham, levantou a mao para pedir a palavra:

- Pido-lhe que me autorize a retirar-me da Associaçom.

- Mas entom porquê, camarada?

- Eu estou pronto para fazer na Liga todo o que me for pedido. Mas esses estudos som muito difíceis. Nom consigo meter todo isso na cabeça e tenho receio de nom estar à altura.

Eu acabava de receber umha boa liçom: tinha-me esforçado por compor um programa de fácil compreensom, que correspondesse ao nível dos meus alunos, e eis que o camarada De Tham pedia para nos abandonar, porque eu tinha acrescentado ao meu curso... as quatro contradiçons...

Por fins de 1941, o Tio Ho deu ordem, de Pac Bo, para organizar o primeiro destacamento armado de Cao Bang. O grupo compreendia os camaradas Hoang Sam, Bang Giang, Le Tie Thung, Duc Thanh, Tho An, etc..., sob o comando do camarada Le Quang Ba. O destacamento tinha por missom assegurar a protecçom do P. C, consolidar e manter a rede de comunicaçons, ao mesmo tempo que participava na formaçom militar dos milicianos de autodefesa e dos milicianos de choque.

Nas regions conquistadas polo movimento revolucionário, a populaçom, que aderia em massa às associaçons para a salvaçom nacional, organizou entre os jovens alguns destacamentos de autodefesa. O problema da formaçom militar punha-se imperiosamente. De todos os lados se reclamavam quadros militares, de que carecíamos cruelmente. Aqueles de entre nós que possuíam alguns rudimentos tivérom, portanto, de participar nesse trabalho. Tal foi o caso dos camaradas Triet Hung, Le Quang Ba, Hoang Sam e Cap. Foi preciso pensar em escrever umhas brochuras. O Tio Ho redigiu um texto sobre a táctica de guerrilha, em termos simples, fáceis de compreender. O Comité interprovincial, por sua parte, deu ordem para compor o programa de formaçom militar e decidiu adoptar instruçons unificadas. Nom era umha tarefa fácil, porque era inteiramente nova para nós. Quando, por falta de prática de comando, o simples facto de escandir "um, dous" embaraça os monitores, que dizer entom da tropa?

O movimento do treino militar tomou um grande impulso. Cada período durava de cinco a sete dias, sempre que os trabalhos do campo o permitiam. Assim que as organizaçons de autodefesa recebêrom todas a instruçom militar, levantárom-se destacamentos de autodefesa e de assalto, cujos membros foram escolhidos entre os milicianos mais corajosos. Pode-se dizer que nas aldeias "a cem por cento" todos os jovens, praticamente, entrárom nas formaçons de autodefesa e seguírom um ou mesmo dous períodos de treino. Cada aldeia contava umha ou duas secçons de autodefesa e de assalto, bem organizadas e bem treinadas.

Ao mesmo tempo, o Comité interprovincial organizava cursos para formaçom de quadros militares. Estes cursos duravam, em geral, um mês, com cinqüenta a sessenta alunos em cada promoçom.

Apesar de todos os entraves nascidos do próprio facto da clandestinidade, as escolas edificadas na floresta nom eram isentas de envergadura. Qual nom foi a estupefacçom do inimigo quando conseguiu descobrir a localizaçom da escola militar da terceira promoçom do cantom de Kim Ma; encontrou grandes edifícios, cobertos de folhas de palmeira, bastante vastos para abrigar centenas de pessoas. Nom faltava nada: anfiteatro, dormitórios, refeitórios, salas de armas, terrenos de exercícios de cinqüenta, sessenta lances... No fim de 1943, na regiom de Nuoc Nai, no distrito de Hon An, pôde-se assistir em pleno dia a revistas de tropas e a manobras que compreendiam quatrocentos e quinhentos combatentes, às vezes mesmo mil, numha regiom que englobava vários cantons. Este rápido crescimento das Forças Armadas traduz bem o ambiente entusiástico que preludiava a insurreiçom geral.

O abastecimento de armas e muniçons punha um problema de nom menor gravidade. Cada miliciano da autodefesa devia arranjar a sua própria arma: sabre, punhal, carabina de caça ou espingarda. Em certos sítios, era a própria populaçom que, através de peditórios, comprava na China mosquetes de fabrico local. Cada miliciano também se devia munir com um rolo de corda para se treinar na captura dos traidores. O Comité interprovincial decidiu instalar umha forja para experimentar fabricar granadas e minas. Esta oficina, colocada sob a responsabilidade do camarada Cap, agrupava cinco ou seis operários. As matérias-primas eram fornecidas pola populaçom loca), que enviava pratos de cobre, marmitas de ferro fundido ou bacias de folha. A escolha de localizaçom foi delicada: decidimo-nos, por fim, por um vale encaixado atrás da cadeia do Blockhaus Vermelho, o que abafava os ruídos dos martelos na bigorna. Depois de alguns meses de experiências arrazantes, a primeira mina viu a luz do dia. Na experiência, cada umha das partes que a constituía, tomada separadamente, revelou-se plenamente satisfatória. No dia J. os camaradas Vu Anh e Tong convidárom-me para vir ver explodir a mina. O local escolhido era próximo da forja, num circo de altas falésias rochosas. A mina foi colocada numha cavidade, no sopé da montanha, enquanto que os espectadores se instalavam nos cimos, atrás de grandes rochedos, para se proteger dos estilhaços. Umha corda de cem metros comandava a explosom. Nós esperávamos, com o coraçom palpitante. O camarada Cap gritou: "Fogo!" Nós tínhamos os olhos fixados na mina. Libertou-se um pouco de fumo... depois, mais nada... Nem a menor explosom.

Um camarada das minorias Tho desatou a rir e gritou no seu dialecto: "Te nang du Ty" (continua sentada no sítio).

Assim falhou o nosso primeiro ensaio.

Mas o camarada Cap nom se desencorajou. Continuou encarniçadamente as pesquisas e acabou por conseguir.

Esta famosa forja funcionou até à Revoluçom de Agosto e foi ampliada com o andar do tempo: tornou-se a oficina de armamento Sam Lon, que prestou imensos serviços durante a resistência, fornecendo regularmente a frente com armas e muniçons. A forja do Blockhaus Vermelho foi, por assim dizer, a nossa primeira oficina de armamento.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Passagens da Guerra Revolucionária: uma revolução que começa


E começamos nossas recordações...


Por Comandante Che Guevara

A história da agressão militar que se consumou no dia 10 de março de 1952-golpe incruento dirigido por Fulgêncio Batista- não começa, naturalmente, no mesmo dia da quartelada. Seus antecedentes teriam que ser procurados muito atrás, na história de Cuba: muito mais atrás que a intervenção do embaixador norte-americano Summers Welles, no ano 1933; ainda mais atrás que a Emenda Platt, do ano 1901; mais atrás que o desembarque do Narciso López, enviado direto dos anexionistas norte-americanos, até chegar à raiz do tópico no tempo de John Quincy Adams quem no começo do século dezoito anunciou a constante da política do seu país com respeito a Cuba: uma maçã que, desmembrada da Espanha, devia cair nas garras do Uncle Sam infelizmente. Elas são elos de uma cadeia longa de agressões continentais que nao se exercem somente sobre Cuba.

Esta maré, este fluir e refluir do marulho imperial, se marca pelas caídas de governos democráticos ou pelo surgimento de novos governos ante o impulso incontido das multidões. A história tem características parecidas em toda a América Latina: os governos ditatoriais representam uma pequena minoria e eles ascendem por um golpe de estado; os governos democráticos de ampla base popular ascendem laboriaosamente e, muitas vezes, antes de assumir o poder, já estão estigmatizados pela série de concessões pré-vias que tiveram que fazer para manter-se. E, embora a Revolução cubana marque neste sentido, uma exceção em toda a América, era preciso especificar os antecedentesde todo este processo, pois quem escreve, levado e trazido pelas ondas dos movimentos sociais que convulsionam a América, teve a oportunidade de conhecer, devido a estas causas, outro exilado americano: Fidel Castro.

Conheci-o em uma dessas noites frias do México, e eu me lembro que nossa primeira discussão virou sobre política internacional. Às poucas horas da mesma noite -antes do amanhecer- era eu um dos futuros expedicionários. Mas me interessa aclarar como e porque eu conheci no México o atual Chefe de Governo em Cuba. Foi no refluxo dos governos democráticos em 1954, quando a última democracia revolucionária americana que fica em pé nesta área, a de Jacobo Arbens Guszmán, sucumbia ante a agressão meditada, fria, realizada pelos Estados Unidos da América do Norte atrás da cortina de fumaça da sua propaganda continental.

De lá se voltava derrotado, unido pela dor a todos os guatemaltecos, esperando, procurando a forma de refazer um futuro para aquela pátria angustiada. E Fidel vinha ao México procurar uma terra neutral onde preparar seus homens para o grande impulso. Começava uma tarefa duríssima para os encarregados de treinar essas pessoas, no meio da clandestinidade indispensável no México, lutando contra o governo mexicano, contra os agentes do FBI norte-americano e os de Batista, contra esta três combinações que se conjugavam de um ou outro modo, e onde muito intervinha o dinheiro e a venda pessoal. Além disso, havia que lutar contra os espiões de Trujillo, contra a má seleção feita do material humano-principalmente em Miami-e, depois de conquistar todas estas dificuldades, devíamos alcançar algo importantíssimo: sair.... e, depois... chegar.

Fidel Castro, ajudado por uma pequena equipe de íntimos, dedicou-se com toda sua vocação e seu extraordinário espírito de trabalho à tarefa de organizar as hostes armadas que sairiam em direção a Cuba. Ele quase nunca deu aulas de tática militar, porque o tempo lhe resultava curto para isto. Minha impressão quase instantânea, ao escutar as primeiras aulas, foi a possibilidade de vitória que via muito duvidosa ao alistar-me com o comandante rebelde ao qual me ligava, dede o início, um vínculo de romântico simpatia aventureira e a consideração de que valia a pena morrer em uma praia estrangeira por um ideal tão puro.

Achamos um rancho no México, onde sob a direção do general Bayo -estando eu como cefe de pessoal- se fez o último preparativo, para partir em março de 1956. Porém, por esses dias dois corpos policiais mexicanos, ambos pagos por Batista, estavam à caça de Fidel Castro, e um deles teve a fortuna econômica de detê-lo, cometendo o erro -também econômico- de não matá-lo, depois de fazê-lo prisioneiro. Muitos de seus seguidores caíram em poucos dias mais; também caiu nas mãos da polícia nosso rancho, situado nos arredores da cidade de México e fomos todos à prisão.

Houve quem estivesse na prisão cinquenta e sete dias, contados um a um, com a ameaça perene da extradição sobre nossas cabeças. Mas, em nenhum momento perdemos nossa confiança pessoal em Fidel Castro. E é que Fidel teve alguns gestos que, quase poderíamos dizer, comprometiam sua atitude revolucionária em pró da amizade. Eu me lembro que lhe expus especificamente meu caso: um estrangeiro, ilegal no México, com uma série inteira de incriminações, aliás, eu lhe disse que não devia de forma alguma deter a revolução por mim, e que podia deixar-me; que eu entendia a situação e que trataria de lutar onde eles me mandassem e que o único esforço que devia se fazer era que me enviassem a um país próximo e não à Argentina. Também me lembro da resposta definitiva de Fidel: "Eu não te abandono."E foi deste modo, porque houve que gastar tempo e dinheiro valiosos para tirar-nos da prisão mexicana. Essas atitudes pessoais de Fidel com as pessoas que aprecia são a chave da abnegação que cria ao seu redor, onde se soma a uma adesão de princípios, uma pessoal que faz deste Exército Rebelde um bloco indivisível.

Passaram dias, trabalhando na clandestinidade, nos escondendo onde podíamos, evitando toda a presença pública na medida no possível, quase sem sair à rua. Uns meses depois, descobrimos que havia um traidor em nossas linhas, cujo nome não sabíamos, e que tinha vendido uma remessa de armas.

Uma atividade febril teve que ser desnvolvida a partir desse momento: O Granma foi condicionado a uma velocidade extraordinária; amontoamos quantos viveres adquirimos, muito poucos por certo, e uniformes, rifles, equipes, dois fuzis antitanque quase sem balas. Enfim, no dia 25 de novembro de 1956, as duas da madrugada, começavam a se fazer realidade as frases de Fidel, que tinham servido de zombaria à imprensa oficial: " No ano de 1956 seremos livres ou seremos mártires."

Saimos, com as luzes apagadas, do porto de Tuxpan. Tínhamos muito mau tampo e, embora a navegação estivesse proibida, o estuário do rio se mantinha tranquilo. Cruzamos a boca do portoYucateco, e num momento mais, acenderam-se as luzes. Começamos a procura frenética dos antihistamínicos contra o enjôo, que não apareciam; se cantaram os hinosnacional cubano e do 26 Julho.

A rota eleita abrangia uma volta grande pelo sul de Cuba margeando Jamaica, as ilhas do GRan Caimán, até o desmbarque em algum lugar perto do povo de Niquero, na província de Oriente. Os planos se cumpriram com bastante lentidão: no dia 30 ouvimos pelo rádio as notícias dos motins de Santiago de Cuba que tinham provocado nosso Frank Pais, considerando sincronizá-lo com a chegada da expedição. No dia seguinte, primeiro de dezembro, à noite, púnhamos a proa em linha reta na direção de Cuba, procurando desesperadamente o farol de Cabo Cruz, carentes de água, petróleo e comida. Às duas da madrugada, com uma noite escura, de tempestade, a situação era inquietante. Iam e vinham osvigias, procurando a estela de luz que não aparecia no horizonte. Roque, ex-tenente da marinha de guerra, subiu uma vez mais à pequena ponte superior, para vislumbrar a luz do Cabo, e perdeu o equilibrio, caindo n'água. Momentos depois de reiniciada a marcha, já víamosa luz, mas o asmático caminhar de nossa lancha tornou intermináveis as últimas horas da viagem. Já de dia chegamos a Cuba pelo lugar conhecido como Belic, na praia de Las Coloradas.

Um barco de cabotagem nos viu, comunicando telegráficamente o achado ao exército de Batista. Apenas descemos, com toda a premência e levando o indispensável, nos introduzimos no lamaçal, quando fomos atacados pela aviação inimiga. Naturalmente, caminhando pelos pântanos cobertos de manguezais não éramos nem vistos nem hostilizados pela aviação, mas o exército da ditadura já caminhava sobre nossos passos.Levamos várias horas em sair do lamaçal, onde a imperícia e a irresponsabilidade de um companheiro que disse conhecedor nos lançaram. Ficamos em terra firme, à deriva, dando tropeções, constituindo um exército de sombras, de fantasmas, que caminhavam como seguindo o impulso de algum escuro mecanismopsíquico. Tinham sido sete dias de fome e de enjôo contínuos durante a travessia, somados a três dias mais terríveis, em terra. Aos dez dias exatos da saída do México, no 5 de dezembro de madrugada, depois de uma marcha noturna interrompida pelos desmaios e as fadigas e os descansos da tropa, alcançamos um ponto conhecido paradoxalmentepelo nome de Alegria de Pío.

Até a próxima passagem da guerra revolucionária.... Alegria de Pío


segunda-feira, 21 de julho de 2008

O NASCIMENTO DE UM EXÉRCITO: 1. Cao Bang: Ho Chi Minh volta ao seu país



Por Vo Nguyen Giap

O movimento revolucionário implantou-se rapidamente na província de Cao Bang. A partir de 1929, a Associaçom da Juventude Revolucionária contava aí vários grupos. Mais tarde, quando o Partido Comunista Indochinês foi criado, Cao Bang também tivo as suas células. As organizaçons de base do Partido conseguírom manter-se lá, apesar do terror branco, até a época da Frente popular, em que a chama revolucionária se apoderou das massas. O Congresso Nacional do Partido foi saudado com diversos comícios, enquanto os mineiros de Tính Tuc davam o sinal de luitas reivindicativas. Quando estalou a Segunda Guerra mundial, os colonialistas franceses cedêrom, em toda a linha, perante os fascistas japoneses, mas lançárom o melhor das suas forças contra o movimento revolucionário. Cao Bang conheceu a repressom. Os nossos quadros e os nossos militantes remetêrom-se à clandestinidade e conseguírom, no meio de enormes dificuldades, manter as organizaçons de base e sustentar o movimento.

Nessa hora crítica, o Presidente Ho Chi Minh chegou à regiom fronteiriça sino-vietnamita; encontrou-se lá com um pequeno grupo de emigrados, que incluía os camaradas Phung Chi Kien, Pham Van Dong, Hoang Van Hoan, Vu Anh e eu próprio. Depois do armistício de 1940, em França, o Tio To decidira que o essencial, para nós, era reentrar imediatamente no país, para tomar contacto com o Comité central e espalhar a nossa rede. O que se fijo. Nos primeiros tempos, acantonamo-nos, provisoriamente, em algumhas localidades chinesas, próximas da fronteira. Era umha regiom por onde já passara o Exército vermelho chinês, que lá tinha efectuado um trabalho político muito eficaz. A populaçom revelou-se acolhedora desde que soubo com quem tratava. Fijo mesmo todo para nos auxiliar.

Um certo número de quadros e militantes de Cao Bang -os camaradas Le Quang Ba, Hoang Sam, Bang Giap, etc...- tivérom de se refugiar na China, para escapar às perseguiçons. Tivérom a sorte de encontrar o Tio Ho, que decidira juntá-los ao nosso grupo, para completarem a formaçom política, antes de passarem a fronteira e irem estabelecer as primeiras bases da organizaçom da Liga Viet Minh no país. Este curso político acelerado tivo lugar numha aldeia chinesa, próxima da fronteira. O Tio Ho dedicou-lhe um cuidado meticuloso. Fijo-nos discutir o programa, que foi adoptado em comum. Dividiu, depois, a redacçom de seis ou sete liçons. Tínhamos, previamente, de compor o plano pormenorizado de cada umha destas exposiçons e submetê-lo à discussom colectiva, antes de o desenvolver por escrito. O texto definitivo devia ser reexaminado em comum, no decurso de umha reuniom. O Tio Ho exigia que estas liçons fossem adaptadas ao nível de massas: claras no conteúdo e simples nos termos. Estes cursos viriam a ser impressos, mais tarde, sob o título "O Caminho da Libertaçom".

Este primeiro curso de formaçom política da Liga Viet Minh foi um grande sucesso. Estava-se na véspera da Festa do Tet (Ano Novo lunar. Os militantes franquearam a fronteira, com umha confiança trans-bordante. Depois do Tet, foi a vez do Tio Ho voltar ao país. Estabeleceu o seu P.C. Na gruta do Pac Bo, no seio de um maciço montanhoso, de dous a três quilómetros de largura por cinco ou seis de comprimento, a um quilómetro apenas da fronteira. As minorias Nung, que povoam esta regiom, disseminam-se em minúsculos aglomerados empoleírados no flanco das montanhas ou aninhados nos vales que elas formam. Nom faltava pitoresco ao sítio, com os seus talhons dos arrozais, encas-toados na selva espessa, e as montanhas abruptas. Umha vegetaçom luxuriante mascarava quase completamente a entrada da caverna: mesmo de perto, era difícil dar por ela. Muito profunda, esta caverna encerrava um riacho encantador, cujas águas formavam, a pouca distáncia, umha pequena bacia, como que um lago miniatural. O riacho seguia o seu curso através de umha profusom de rochedos caprichosos, onde grossas estalactites mergulhavam sobre blocos enormes, arredondados pola erosom. Era para lá que o Tio Ho se dirigia, dia após dia, para trabalhar, a menos que nom fosse dar um curso político em qualquer aldeia dos arredores. Para as refeiçons, voltava à gruta. Reinava lá um frio cortante; à noite, felizmente, era possível, serem risco de se ser descoberto, acender umha pequena fogueira.

O Tio Ho, que ligava umha importáncia extrema à vigiláncia, diligenciava sempre que cada um de nós guardasse um segredo absoluto sobre todo o que dizia respeito ao P.C. Ao menor indício de perigo, dava imediatamente ordem de mudar de lugar. Umha vez, mandárom-nos dizer que o inimigo enviara espions para a regiom. O nosso P. C. mergulhou, acto contínuo, ainda mais profundamente na floresta. A nova localizaçom oferecia umha grande segurança. Para a atingir era preciso subir um curso de água, atravessar algumhas cascatas e escalar diversas escarpas. A sede do P.C. Nom passava de umha cabana bem escondida, sob umha profusom de lianas e de grandes raízes. Infelizmente, era tam sombria, mesmo em pleno dia, que, para trabalhar, tínhamos de trepar ao alto da montanha. Mais tarde, sempre por precauçom, o nosso P.C. mudou-se para outra gruta, extremamente exígua, que mal podia abrigar três ou quatro camas. Nos dias de grande chuva, as serpentes e outros animais faziam-nos companhia.

Esta vida de clandestinos acossados era extremamente dura. Para conservar umha boa saúde, condiçom primordial de um bom trabalho, o Tio Ho observava regras muito estritas. Levantava-se muito cedo. Todos os dias era ele, invariavelmente, quem nos acordava. Fazíamos, em conjunto, alguns movimentos de cultura física; depois começava o dia de trabalho. A noite, carecidos de petróleo para os candeeiros, reuníamo-nos em volta de umhas achas a arder. As horas das refeiçons eram também escrupulosamente respeitadas, mas o passadio era bem escasso. A nossa ementa só de longe em longe comportava um pequeno prato de carne, que tínhamos baptizado de "carne à Viet Minh"; eis a receita: um quarto de carne grelhada, cortada e passada, e três quartos de sal grosso. Algumhas vezes, organizávamos umha pescaria para melhorar o rancho.

Bebíamos água da fonte, passada por um filtro improvisado, feito de carvom, calhaus e areia. Apesar destas precauçons, ninguém escapou ao paludismo. O Tio Ho sofria freqüentemente ataques de febre. No momento das crises, recusava repousar, apesar das nossas instáncias, e continuava a presidir às reunions.

Mais tarde, quando o movimento tomou envergadura, o nosso P. C. deslocou-se para Lam Son, perto de Nuoc Hai, no fundo de um vale encastoado numha cadeia de montanhas, de acesso extremamente difícil.

Chamávamos a esse lugar o "Blockaus vermelho", porque estava rodeado de montanhas avermelhadas e servia há muito tempo de ponto de encontro dos revolucionários. O Tio Ho conservava sempre o mesmo modo de vida, todo simplicidade e frugalidade. A estadia nas grutas e na selva minara-lhe a saúde. Quando a situaçom evoluía favoravelmente, o abastecimento melhorava e a nossa vida material tornava-se quase satisfatória. Mas quando o inimigo intensificava a repressom, o nosso P. C. mergulhava mais profundamente na floresta e o abastecimento tornava-se difícil. Aconteceu-nos, mais que umha vez, refugiarmo-nos entre as minorias "Man Brancos" que, por carência de arroz, só se aumentavam de milho. Nós próprios, durante longos meses, comemos sopa de milho. A saúde do Tio Ho declinava visivelmente. Mas, durante toda esta permanência no Viet Bac, nunca o Tio Ho esteve tam doente como depois do golpe de força dos japoneses em 1945. Já tínhamos libertado umha vasta zona, que se alargava constantemente. Tínhamos descido com o Tio Ho de Cao Bang até Tan Trao. Era no mês de Julho de 1945, no período febril de preparaçom do Congresso nacional, decidido polo Comité central. O P.C, do comando provisório da zona libertada, encontrava-se instalado numha casa sobre estacas da aldeia de Tan Trao, perto de umha grande "figueira da índia", que haveria de ficar histórica. Eu era responsável pola permanência do P.C. O Tio Ho habitava umha pequena cabana aninhada no flanco da montanha, na proximidade da aldeia.

A longa marcha que o Tio Ho tivera de efectuar para ir de Cao Bang a Tan Trao devia-o ter esgotado. Caiu gravemente doente, após um período de grande abatimento; a febre nom o abandonara. A princípio, ainda podia engolir um pouco de sopa de arroz. Depois, foi ficando reduzido à farinha de arroz dissolvida na água. Algumhas vezes delirava. Ainda que a nossa provisom de medicamentos tivesse melhorado, só possuíamos, em última análise, alguns comprimidos de quinino e umhas ampolas de óleo canforado. Dia após dia, eu apresentava-me na cabana para fazer o meu relatório. O seu estado angustiava-me. Mas cada vez que me preocupava com a sua saúde, ele tranquilizava-me e insistia em que voltasse para o P. C, para dar andamento aos assuntos ope-rantes. No sétimo dia da doença, encontrei-o pior. Despediu-me, como de costume, depois de eu apresentar o relatório. Pretextando que nom tinha qualquer assunto urgente à espera, insisti em ficar com ele. Sem dúvida que tinha consciência do estado em que se encontrava - aceitou. Durante a noite, acordou várias vezes, chamando-me de cada vez. Tivem a confusa percepçom que me queria comunicar cousas capitais, antes que fosse demasiado tarde ...

Com a sua voz calma, destacando cada palavra, disse-me: "Neste momento, a conjuntura nacional e internacional é-nos extremamente favorável. O nosso Partido nom deve deixar passar a ocasiom. Devemos tomar a direcçom da luita nacional para a conquista da independência, custe o que custar, mesmo que toda a cordilheira vietnamita tenha de ser pasto de chamas." Interrompeu-se um momento para retomar fôlego e prosseguiu:

- Quando o movimento revolucionário ganha terreno, como hoje, é nessa altura, precisamente, que é necessário velar pola consolidaçom dos alicerces: reforçar ideologicamente os elementos seguros, formar os quadros, é preciso abrir cursos acelerados, a fim de formar a tempo os militantes locais e preocuparmo-nos particularmente em organizar células, de forma a poder manter o movimento nas horas críticas. Quanto à luita armada, desde que as circunstáncias se tornem favoráveis, será necessário prossegui-la resolutamente e ampliá-la, sem esquecer a consolidaçom das bases, para fazer face a qualquer eventualidade.

Estas recomendaçons soavam como últimas vontades. Figem imediatamente um relatório pormenorizado sobre o estado do Tio Ho ao Comité central. Pedia, ao mesmo tempo, a todos os camaradas que consultassem a populaçom local. Os velhos da aldeia acorrêrom em nosso socorro. Dérom-nos o endereço de um médico tradicional, reputado pola cura deste gênero de febre. Nessa mesma noite enviou-se um emissário ao médico, que chegou no dia seguinte, de manhá. Tomou o pulso do doente e foi à floresta, onde desenterrou umha espécie de tubérculo. Mandou-o queimar e deitar as cinzas numha tijela de sopa de arroz, que obrigou o doente a engolir. O Tio Ho nom tardou em sentir-se melhor e, alguns dias depois, estava completamente restabelecido.

Pode-se calcular a nossa alegria. Mas nunca chegamos a saber o nome do tubérculo miraculoso que curou tam rapidamente o Tio Ho.

Voltemos agora a Cao Bang, na altura em que o Presidente permanecia em Pac Bo. Os camaradas Phung Chi Kien e Vu Anh já lá se encontravam. O camarada Lam (nome de guerra de Pham Van Dong), o camarada Li (nome de guerra de Hong Van Hoan) e eu próprio, em missom em Tsin Si (China), fazíamos a ligaçom entre esta cidade e Kuei Lin. íamos, freqüentemente, a Pac Bo para apresentar os nossos relatórios ao Tio Ho e receber instruçons. De tempos a tempos, ele vinha ao nosso encontro, acompanhado do camarada Phung Chi Kien, num sftio situado a meio caminho entre Bac Bo e a nossa residência. Resistente como era, podia percorrer dezenas de quilómetros a pé, numha só tirada. Certa vez, encontrámo-lo. conforme o combinado, no nosso ponto de encontro, situado num mercado da China. Um dos nossos camaradas, que acabava de atravessar a fronteira, anunciou-lhe:

- O camarada X foi preso!

Sem parecer preocupar-se com a notícia, o Tio Ho convidou-nos para entrar numha locanda e mandou vir a refeiçom. Foi somente depois de ter comido que deu início à reuniom projectada. Tomou a palavra, em primeiro lugar, dirigindo-se ao mensageiro:

- fai agora o teu relatório. Aconteça o que acontecer, nom se deve perder o sangue frio.

Todas as vezes que voltávamos ao P. C. Para encontrar o Tio Ho tínhamos sempre a sensaçom de estar em casa.

- O Partido, dizia ele muitas vezes, é a grande família dos comunistas.

Nas horas de impulso do movimento, os militantes que traziam consigo a ebuliçom febricitante dos órgaos de base encontravam junto dele a atmosfera serena, que lhes fazia lembrar imediatamente que a luita ainda seria longa. Nas horas sombrias, quando o inimigo semeava o terror entre a populaçom em pánico, eles continuavam a encontrar nesse lugar, ao regressarem das respectivas missons, essa mesma atmosfera serena, da qual emanava umha confiança inquebrantável. Liçom preciosa: nas horas tristes, nada de pessimismo, nas horas do triunfo, nada de optimismo eufórico. O Tio Ho conseguiu, maravilhosamente, comunicar-nos a sua própria e inabalável fá na vitória da revoluçom.

- Fazer a revoluçom, dizia ele, é um trabalho de largo fôlego, um trabalho que exige tenacidade e perseverança. Qualquer decisom pede madura reflexom e nom deve ser tomada de ánimo leve.

Nesta conformidade, em geral, à volta das missons, se nom havia soluçom urgente a tomar, observávamos a seguinte regra de trabalho: o Tio Ho punha o problema em debate e concedia-nos um determinado tempo de reflexom. Em seguida, tinham lugar o conselho e as discussons. As suas directivas eram sempre muito precisas e muito práticas. E quando, após minuciosas discussons, adoptávamos as resoluçons finais, exigia que as realizássemos a todo o custo. Insistia também em controlar efectivamente o nosso plano de trabalho, qualquer que fosse a sua importáncia. Da minha permanência junto dele, retive este ensinamento: para fixar a linha da revoluçom é necessário ter umha noçom do conjunto e de longe, mas, no momento de passar à execuçom, é preciso prestar umha grande atençom aos mínimos detalhes de ordem prática. Negligenciar os pormenores é comprometer as grandes linhas.

Assim que o P. C. se estabeleceu em Pac Bo, o Tio Ho deu imediatamente ordem para fazer aparecer o Viet Lap (Vietname Independente). Este jornal saía clandestinamente umha vez por semana, em duas páginas de formato pequeno. Os artigos, curtos e simples, eram impressos em grandes caracteres, em litografia. Como os julgássemos demasiado curtos e demasiado simplistas, propusemos enriquecer-lhes o conteúdo e utilizar caracteres mais pequenos para melhorar a apresentaçom e aumentar o número dos artigos. Mas o Tio Ho tomou a defesa da preferência por artigos curtos, em caracteres grandes. Com a experiência, nom tardamos a constatar a eficácia do Viet Lap no nosso trabalho de propaganda e organizaçom. A influência do jornal nom provinha só da justeza da linha política mas também da simplicidade da forma: a primeira condiçom para despertar a consciência das massas e fazê-las progredir era abordar os problemas que as tocassem profundamente, em termos que elas pudessem compreender.

Com a continuaçom, o jornal fijo progressos, apareceu com quatro páginas e melhor apresentaçom. Estava destinado a alcançar um grande sucesso junto da populaçom.

O Tio Ho ligava umha grande importáncia à formaçom ideológica dos quadros. Traduzira para vietnamita a História do Partido Comunista (bolchevik) da U.R.S.S. Ele próprio dactilografara esta traduçom em alguns exemplares, que nos serviam como documentos para os nossos estudos.

Ele continuava, todavia, em estreito contacto com a populaçom local; ia freqüentemente visitar os velhos e ensinar a ler os mais jovens. Gostava muito de crianças. Com a sua veste anilada, à moda das minorias "Tho", poderia ser tomado por um camponês da regiom. O povo chamava-lhe respeitosamente "ong ke", qualificaçom reservada aos anciaos da aldeia.

No mês de Março de 1941, o Tio Ho presidiu, em Pac Bo, à 8.' Conferência ampliada do Comité central- Esta reuniom viria a tomar decisons históricas. Ao definir a linha do Partido, ela fijo da libertaçom nacional o objectivo n.° 1 para todo o povo. Decidiu igualmente a organizaçom da Liga para a Independência do Vietname (Viet Minh) e escolheu as duas bases de Bac Son-Vu Nhaí e de Cao Bang, como centros de preparaçom para a insurreiçom armada no Viet Bac.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

CARTA A NUESTROS HERMANOS DE LUCHA

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Escrito por Rodrigo Granda y Jesús Santrich.
jueves, 17 de julio de 2008

Los comandantes Rodrigo Granda y Jesus Santrich, agradecen en nombre de los miles de combatientes de las FARC - EP, las muestras de solidaridad internacionalista y revolucionaria de todos los bolivarianos del Colombia y de Nuestra América. La Cadena Radial Bolivariana Voz de la Resistencia reproduce a continuación dicha carta pública, leída además através de todas nuestras estaciones basicas de radio.

"Dichosísimo aquel que corriendo por entre los escollos de la guerra, de la política y de las desgracias públicas, preserva su honor intacto."

Simón Bolívar.

Estimados compañeros, militantes y simpatizantes de nuestra causa revolucionaria por la Nueva Colombia, el Socialismo y la Patria Grande. Con un saludo fariano, marulandista y bolivariano reciban nuestro optimismo en el presente de lucha y algunas consideraciones que en principio estaban destinadas a ser compartidas con los camaradas de nuestro firme Partido Comunista Clandestino y especialmente con nuestros prisioneros de guerra que se encuentran en las cárceles de Colombia y en el exterior, pero que con certeza tendrán mejor destino si también llegan a las conciencias y los corazones de esa extensa comunidad de copartidarios, colaboradores, aliados y simpatizantes bolivarianos que sostienen la esperanza en un pronto futuro mejor para los pobres de la tierra.

Apreciados Quijotes de la comunera parcela de José Antonio Galán; perseverantes de la Colombeia de Miranda; queridos compatriotas también de la América Nuestra. En medio de muchas circunstancias favorables y adversas, vicisitudes luctuosas algunas…, y en todo caso en la estrada del combate por el poder para los oprimidos, por el que hemos jurado vencer, con la certeza de que venceremos, hemos recibido con satisfacción las voces de respaldo y de fe absoluta que ustedes han ratificado, sin dilaciones, por las FARC-EP y por el proyecto que juntos llevamos adelante, sobre todo la reafirmación en los principios como en los propósitos, en las vías y en las formas de alcanzarlos en esta hora en que muchos desearían vernos en la ruta de la claudicación.

Queríamos expresar sobre los documentos que por diversas rutas nos han hecho llegar para el estudio, que la mayoría son críticos, y al mismo tiempo solidarios, sin adulaciones pero con apropiado reconocimiento, sobre todo los de compañeros dignos y respetables como lo son James Petras, Domingo Alberto Rangel, Vladimir Acosta, Narciso Isa Conde, Dax Toscano, Duglas Bravo…, Heinz Dieterich, entre muchos y muchos otros consecuentes revolucionarios y pensadores honorables, lo mismo que organizaciones sociales y políticas, que han expresado sus condolencias y opiniones alrededor de la muerte del Comándate en Jefe Manuel Marulanda Vélez y sobre las circunstancias que rodean la lucha de resistencia de las FARC-EP. Creo que todos ustedes en la ciudad y nosotros en la montaña, estamos llenos de gratitud, por la manera como han bien ponderado nuestra lucha como factor necesario y expresión del decoro de los pueblos, que como el colombiano combaten contra un régimen pérfido y criminal.

Hay que reconocer que se requiere independencia intelectual, criterio propio, entereza moral y valentía además, para adoptar juicios rectos y categóricos como los de estos compañeros, en momentos en los que es lo más cómodo, de ventaja, conveniencia y muy común la hipocresía, la ponderación falsaria…, y todos esos retruécanos con los que se suele manosear la realidad sin asco de arrastrar los principios para mostrarse revolucionario mientras se es oportunista, sobre todo cuando se aprovecha sinceras pero equívocas posiciones de buena fe que han venido de probados buenos hombre y mujeres, gobernantes o no, que claman por el desarme de las insurgencias anti oligárquicas y anti imperialistas, creyendo que ese es el camino para encontrar la anhelada paz para los oprimidos.

No vamos a retomar ahora los argumentos de los mencionados por que creemos que además de que han sido bastante difundidos y de manera magistral expresados, como suelen hacerlo con esa buena escritura que tienen por espada, ustedes ya los habrán debatido suficientemente. Sólo queremos decir que como revolucionarios, los guerrilleros de las FARC, tratamos de aplicar el principio de la crítica y la autocrítica con ecuanimidad, de manera constructiva, y nos complace escuchar con atención a quienes nos enaltecen señalándonos los errores o lo que ellos creen que es desacierto o inconveniencia. Detestamos sí la adulación tanto como el oportunismo, y como el poeta Juvenal Herrera pensamos también en que es el silencio la cobardía de los intelectuales; por ello valoramos mucho más las palabras que con valentía salen a combatir en el terreno de la lucha ideológica, sobre todo cuando la asquerosa unipolaridad que pretenden los fundamentalistas del gran capital, impone por la fuerza y con el engaño mediático el unanimismo pernicioso que conviene a los déspotas, en el que individuo y sociedad son un todo, pero sumiso a los dictámenes de las trasnacionales.

Queremos dejar bien en claro la posición determinante que seguramente quienes siempre han confiando en nosotros la conocen, y es que empeñaremos nuestras vidas, como en efecto lo estamos haciendo, en no defraudar a quienes creen en las luchas de los pueblos, a quienes como ustedes respaldan la necesidad de la lucha armada en las circunstancias que rodean a los pobres de Colombia, y de otros pueblos pisoteados por la bota militarista y usurera de los yanquis y de sus émulos, acólitos y cómplices en la desbocada rapiña neo colonial.

No seremos inferiores al mayor compromiso que nos inspira la fe de aquellos que sin temer a las estigmatizaciones de la infame guerra antiterrorista, han levantado su voz contra los verdaderos terroristas del planeta y en especial contra aquellos que desde la Casa Blanca tienen ya en vilo la existencia de la humanidad, porque efectivamente somos lo que con sangre y vidas hemos jurado ser: soldados de Bolívar, indios bravos como Lautaro, Tupac Amaru, La Gaitana…, Calarcá; ¡guerrilleros de Manuel hasta la victoria o hasta la muerte! Somos luchadores con principios, comunistas convencidos, que asumimos con orgullo y persuasión absoluta el combate por la liberación y la justicia social. No deshonraremos el altar sagrado de nuestros muertos, no seremos indignos de su sangre que se derramó para que se mantenga la esperanza, no rebajaremos el sacrificio de Bolívar ni el de Martí, como el de ninguno de nuestros próceres de la independencia y la libertad, porque preferimos un San Pedro de Abanto a una paz de Zanjón; un Manifiesto de Montecristi, un Grito de Yare o un Grito de Baire, un 19 de mayo en Boca de Dos Ríos…, un octubre en la Higuera, un septiembre en La Moneda abrazando ametralladora y convicciones antes que rendición; un sablazo en Ayacucho, la suerte del Negro Primero en Carabobo, el destino de Caamaño en San José de Ocoa, el camino de Avelito Santa María, evocar a Mariguela, la senda de Carlos Fonseca Amador y Farabundo Martí, las cananas de Zapata y de Sandino, la suerte de Atanasio Girardot, de Raúl Reyes e Iván Ríos, la persistencia de Jacobo Arenas, partir en átomos al lado de Ricaurte en San Mateo…, al Charle Magne Peralte que isa la dignidad Haitiana, el ejemplo del imbatible Manuel Marulanda Vélez… en fin, partir entre humo y metralla, una muerte en combate, que una claudicación del pensamiento, porque también nosotros creemos en que la ley primera debe ser “el culto a la dignidad plena del hombre” y actuamos con la máxima de que “Al acero responda el acero, y la amistad a la amistad”, según lo expresara el Apóstol de las Antillas, pues a nosotros también se nos ha enseñado lo que pensaba el Titán de Bronce en cuanto a que “la libertad no se mendiga sino que se conquista con el filo del machete…” o aquello que decía el Che en cuanto a que “en una revolución se triunfa o se muere si esta es verdadera”.

En nombre del fusil de Fabricio Ojeda, en nombre de Albizu Campos y los macheteros de Filiberto Ojeda, en nombre de Camilo Torres, cura y guerrillero; en nombre de los héroes del Moncada y de Alegría de Pío, en nombre de los sufrientes del Cuartel San Carlos, en nombre de los mártires de la embajada japonesa en el Perú, en nombre del comandante Cerpa Cartolini y de cada guerrillero y revolucionario que ha entregado su vida por el sueño de la emancipación…, en nombre de los sueños y de cada gota de sangre de los combatientes caídos en Nuestra América por evitar el yugo de los opresores es que juramos que no seremos nosotros quienes arriemos sus espadas, sus lanzas, sus machetes, sus fusiles y sus banderas. No seremos nosotros, NO y mil veces no quienes bajemos las armas de Marulanda, las armas del pueblo, que se han levantado por la emancipación.

Hay ciertas concesiones inadmisibles entre revolucionarios, pues definidos estamos no sólo como marxistas-leninistas sino como bolivarianos, y en tal compromiso no estamos dispuestos sólo a lograr lo que se nos manifieste asequible sino lo que nos imponga la conciencia por deber. Como en la gesta del Libertador, “es imperturbable nuestra determinación de independencia o nada” y así, en el mejor sentido bolivariano reiteraremos como constante que, cuando la opresión no deja más alternativa, la insurrección, la guerra de liberación, constituye el legítimo recurso de los pueblos para lograr la libertad.

Estamos en una confrontación que no ha de cesar mientras no se acabe con las profundas causas sociales que la engendraron o se instaure un nuevo poder que establezca la justicia social. Entretanto se nos presentarán éxitos que no nos deben envanecer y reveces que son propios de este tipo de lucha que hemos emprendido obligados por la perfidia de este régimen del terror…, pero en nada nos deberán perturbar las adversidades; de ellas sólo debemos sacar las experiencias que también nos aporten para desbrozar el camino de la victoria, pues como expresaba el Libertador “El hombre de bien y de valor debe ser indiferente a los choques de la mala suerte”.

Somos marulandistas; es para nosotros un orgullo haber sido y seguir siendo guerrilleros de Manuel, perseverantes, optimistas, íntegros, sencillos y desinteresados, como él. Y para quienes nos reprochan por nuestra condición insobornable en el desenvolvimiento de la táctica de la combinación de las formas de lucha, creyendo que es posible lograr una transformación pacífica de su entorno social a favor de los desposeídos, no podemos menos que expresarles nuestros mejores deseos en su loable causa; pero al mismo tiempo reiteramos ante la faz del mundo que no somos nosotros quienes hemos empujado a Colombia a la guerra sino aquellos que no permiten que el pueblo tome la senda de la democracia y de la paz en la definición de su destino.

Por nuestras convicciones sólo nos es dable estar por la Colombia Nueva más que por nuestras propias vidas, de tal suerte que si alguien ve improbable vencer que sepa que nadie nos podrá negar el derecho de morir por un mundo mejor en nombre de todos quienes lidian por su emancipación en medio de la guerra sucia y el terrorismo de Estado imperial y criollo.

Nunca faltan los Judas, que se dejan sobornar por unas cuantas monedas de oro o por dádivas y promesas de cualquier tipo. Pero lo fundamental es que la codicia siempre será tenida como un asco entre los verdaderos revolucionarios.

Es preferible sin duda mantenerse en una guerra de resistencia por la dignidad, la justicia y la libertad que mantenerse sumiso a la tiranía que como bien lo expresó Bolívar es el compendio de todas las guerras.

Había escrito Lenin alguna vez refiriéndose a quienes sostenían la posición política del desarme aduciendo que tal reivindicación era la expresión más franca, decidida y consecuente de la lucha contra todo militarismo y contra toda guerra, que “precisamente en este argumento fundamental reside la equivocación fundamental de los partidarios del desarme.

Los socialistas, - decía Lenin- si no dejan de serlo, no pueden estar contra toda guerra.

En primer lugar, los socialistas nunca han sido ni podrán ser enemigos de las guerras revolucionarias. La burguesía de las "grandes" potencias imperialistas es hoy reaccionaria de pies a cabeza, y nosotros reconocemos que la guerra que ahora hace esa burguesía es una guerra reaccionaria, esclavista y criminal. Pero, ¿qué podría decirse de una guerra contra esa burguesía, de una guerra, por ejemplo, de los pueblos que esa burguesía oprime y que de ella dependen, o de los pueblos coloniales, por su liberación?” (…)

¿Desde aquellos tiempos de la valerosa resistencia bolchevique habrá cambiado, compañeros, la esencia criminal, “reaccionaria de pies a cabeza”, de esas burguesías imperialistas?

¿Cómo se han conquistado los cambios favorables para los oprimidos, incluso en procesos cuyos conductores, en varios casos, dan votos por el desarme?

Falta mucho trecho de lucha aún por los desposeídos en el mundo; son más los escenarios del orbe donde se mantiene y crece la explotación con más saña y avaricia que nunca, que aquellos donde se profundiza la emancipación; de tal manera que no hay más que decir con Lenin que “Sólo cuando hayamos derribado, cuando hayamos vencido y expropiado definitivamente a la burguesía en todo el mundo, y no sólo en un país, serán imposibles las guerras. Y desde un punto de vista científico sería completamente erróneo y antirrevolucionario pasar por alto o disimular lo que tiene precisamente más importancia: el aplastamiento de la resistencia de la burguesía, que es lo más difícil, lo que más lucha exige durante el paso al socialismo. Los popes "sociales" y los oportunistas están siempre dispuestos a soñar con un futuro socialismo pacífico, pero se distinguen de los socialdemócratas revolucionarios precisamente en que no quieren pensar ni reflexionar en la encarnizada lucha de clases y en las guerras de clases para alcanzar ese bello porvenir”

En el caso de las FARC, que desenvuelven su lucha en medio de las peores atrocidades que contra el pueblo desatan las oligarquías, jamás condenaremos ni desistiremos de la insurrección armada porque es, al menos en nuestras circunstancias terribles de sobre vivencia en Colombia, la manera que nos garantiza poder hacer verdadera resistencia a tan sanguinaria autocracia, a tan vil tiranía y a tan macabro terrorismo de Estado impuesto por las oligarquías que atienden los mandatos de Washington.

Aunque la resistencia popular colombiana que es donde se inscribe cada esfuerzo de las FARC como pueblo en armas, aún con su sacrificado heroísmo, a veces pareciera una lucha en solitario, lo cierto es que por estos días, con tanta expresión de apoyo y solidaridad, lo que tenemos es la constatación de que en ella se congregan los anhelos de millares y millares de compatriotas de la América Nuestra, de millares y millares de sojuzgados que sienten que en nuestras banderas, en nuestros lutos, en nuestros fusiles se expresa su propia lucha y sus propias esperanzas de justicia y Patria Grande.

Entonces, ¿está la lucha de los pobres de Colombia y de las FARC como su legítimo puño armado marchando en solitario contra el mundo entero?

¡No! porque son sin duda también la expresión sentida de aquellos que en cualquier rincón del planeta no tienen la posibilidad del acogimiento mediático ni del lisonjeo capitalista. De todos ellos nuestra lucha de alguna manera es aliciente de su fe en la posibilidad de la resistencia y del triunfo de los desposeídos.

El imperialismo siempre tendrá pretextos para alimentar su avaricia. Cuando no los tiene los inventa. Así que está fuera de lógica responsabilizar de su perfidia, su tiranía y sus agresiones a quienes resisten por su derecho de defender su sobre vivencia y su dignidad. Por lo demás todo aquel que pretenda oponerse a los designios de Washington será tildado de terrorista, de tal suerte que quien persista en la posición serafínica de que es el abandono de los fusiles lo que nos traerá la paz no estará más que actuando como aquellos que buscan la causa de la fiebre en las sabanas y al final podrían terminar convencidos de que con tal de vivir no importa permanecer arrodillado.

Nosotros tenemos frente a estas posiciones el mismo convencimiento del Libertador en cuanto a que no importa perecer con tal que sobre viva un pueblo.

Tenemos certeza de la justeza de nuestra lucha, de la pertinencia de las vías y las formas y de la posibilidad del triunfo; pero ni aún estando en la circunstancia de perderlo todo cejaríamos en nuestro empeño porque nuestro rumbo es el de colmar el cumplimiento del deber a costa de todo.

Sabemos que la victoria solo es posible con la constancia, sobre todo cuando lo que se profesan son sentimientos de profundo amor al pueblo; sabemos que “el gran poder existe en la fuerza irresistible del amor”. Combatimos con fe, lo hemos abandonado todo por la causa de los pobres y en ese camino nos preguntamos, ¿desde cuando contra los canallas no se pueden utilizar, sin rebajarnos a la perversidad, las armas que usan ellos mismos; desde cuando esa máxima bolivariana asusta a los bolivarianos?

No es admisible para un verdadero revolucionario existir por existir, es en la lucha donde se debe concebir el modo propicio de la existencia. Y en esa convicción estamos. Ya hemos dicho que “Hoy, como sucede desde medio siglo atrás, los dueños del poder, de las haciendas y del dinero organizan bandas criminales encargadas de agredir al pueblo y sembrar el terror en la población, paralelas y siamesas de las fuerzas policiales y militares oficiales, para eternizarse como gobernantes, nutridos en esta oportunidad con las inagotables finanzas del narcotráfico y conformando así un Estado paramilitar y mafioso de características fascistas”, y que es por todo esto que “hoy, al igual que hace medio siglo, la ilegitimidad del Régimen y el terror del Estado dan vigencia al alzamiento popular y convalidan ante el mundo el sagrado derecho del pueblo colombiano a la rebelión”( del Manifiesto de las FARC, enero de 2007).

Nada nos detendrá, ni las calumnias, ni el concejo del apaciguamiento, ni las posturas derrotistas, ni las intrigas, desconsideraciones y felonías de los ingratos, desleales y traidores.

Sabemos que tenemos que batallar contra el imperio pero también deberemos sortear las emboscadas de los perjurios y las defecciones que se suelen dar en el escenario de algunos de nuestros propios aliados de causa, y que es en las adversidades cuando mejor se puede identificar la firmeza de los propios y la verdadera amistad, como también dentro de ellas es cuando más se desbocan los insidiosos, pues bien sabido es que “más hace un intrigante en un día que cien hombres de bien en un mes”. De tal forma que no solo tendremos que sobreponernos a traiciones, insolidaridad de muchos y obstrucción de otros sino que deberemos incluso, seguramente, escuchar las ignominias del imperio en boca de no pocos de los que se dicen nuestros amigos.

Este gobierno y muchos enemigos y hasta amigos verdaderos, han confundido nuestra generosidad con debilidad sin percatarse que quien actúa con venganza lo que hace es escalar las calamidades. Nuestra praxis es la sensatez; nosotros sabemos y lo tenemos por conocido de la práctica que “en las revoluciones como en las guerras, hay contratiempos indispensables”, y que es fácil mirar desde el puerto la tempestad y parlotear sin considerar las vicisitudes del que navega en alta mar. Dejemos que parloteen y concentrémonos en lo que nos imponen el deber, nuestros principios y certezas sin caer en esas trampas que se urden cuando se enreda en la diplomacia los conceptos morales y políticos colocándolos en contradicción los unos con los otros hasta hacer al fin de la primera el compendio de la hipocresía. Nosotros con nuestros amigos, independientemente de lo que ocurra, siempre deberemos mantener por sentimiento y convicción el respeto y la consideración. Y con nuestros enemigos, la altura y la dignidad.

El colombiano, pueblo al que pertenecemos como pueblo en armas, siempre nos ha brindado la luz y la esperanza que alimenta nuestras convicciones, así que, como lo indica el Libertador, ha nada hemos de temer si el pueblo nos ama, y como siempre y ahora más que nunca, si en esta hora la América necesita del pueblo en armas para luchar contra el imperio, sin duda estará en los fusiles de las FARC el combate por el continente todo hasta las últimas consecuencias, pues ciertos estamos que nunca se nos arrancará nada por la fuerza o el chantaje y que frente a la perfidia no claudicaremos jamás, independientemente de la magnitud de las dificultades, porque preferiremos siempre la muerte a la existencia deshonrosa, la muerte a la expatriación , la muerte a la sumisión, la muerte a la triste resignación.

¡Por la Nueva Colombia, la Patria Grande y el Socialismo, hasta la victoria siempre!

¡Hemos jurado vencer y venceremos!

Nascimento de um Exército: Vo Nguyen Giap


O trabalho de digitalização de documentos históricos do marxismo e das experiências revolucionárias de outros povos do mundo continua no seio do nosso partido. Desta vez, temos a honra de incorporar uma nova figura de grande relevo histórico à nossa Biblioteca Marxista em Galego. Trata-se de Vo Nguyen Giap, lendário comandante da guerrilha independentista e socialista vietnamita que, após a derrota do colonialismo francês, e já como ministro da Defesa do Vietname do Norte, pola primeira vez na história derrotou o mais poderoso exército imperialista mundial.

Assinalado como um dos maiores estrategas militares da história, figura viva da Revolução Vietnamita e ex-ministro da Defesa do Governo revolucionário do Vietname, reformado voluntariamente em 1982, Giap nasceu em 1912, entrando a militar bem novo no Partido Comunista e participando na primeira vitória que em 1945 permitiu a proclamação da República Democrática do Vietname.

Como comandante em chefe do Exército Popular vietnamita, dirigiu a partir de 1946 a nova fase da guerra de libertação nacional, derrotando o colonialismo francês na célebre campanha de Dien Bien Phu.

Posteriormente, foi a vez dos EUA, que invadiram a metade sul da nação asiática a partir de 1965. Quatro presidentes ianques fôrom sucessivamente incapazes de derrotar o povo vietnamita em armas, e 57.690 soldados norte-americanos morrerão até o Pentágono ver-se obrigado a admitir a derrota e abandonar o país, unificando-se o Vietname sob direção comunista. O papel militar de Giap na vitória popular vietnamita é indiscutido, bem como o seu compromisso patriótico e revolucionário na construção do socialismo no Vietname.

A incorporação de um dos seus textos de temática político-militar à nossa Biblioteca Marxista em Galego quer ser a nossa pequena homenagem a Giap e ao povo trabalhador vietnamita. Trata-se da primeira edição digital desta obra pendurada na internet, ao menos numa língua ocidental. É, portanto, motivo de orgulho para nós que seja a Galiza o primeiro país e o galego-português a primeira língua que serve para a divulgação na rede da obra deste grande revolucionário, graças mais uma vez ao trabalho dos e das camaradas de Primeira Linha.

Nascimento de um Exército

Vo Nguyen Giap

Primeira ediçom digital em galego-português: Abril de 2006, autoria a cargo de Primeira Linha em Rede. Permite-se a reproduçom agradecendo que seja citada a fonte.

Índice:

1. Cao Bang: Ho Chi Minh volta ao seu país

2. O movimento arma-se

3. A marcha para o Sul

4. O terror branco em Cao-Bac-Lang

5. No sentido da luta armada

6. O destacamento de propaganda do Exército de Libertação do Vietname